Publicado 13 de Agosto de 2013 - 10h33

Por Milene Moreto

Ex-assessor é detido após quebrar quadro com uma foto da suplente Marcela Moreira

Elcio Alves/AAN

Ex-assessor é detido após quebrar quadro com uma foto da suplente Marcela Moreira

Sob clima de tensão, os vereadores de Campinas retomaram os trabalhos na sessão de segunda-feira (12), a primeira após o protesto da última semana, que resultou na depredação do plenário. Os parlamentares discutiram durante duas horas a manifestação promovida pela Frente Contra o Aumento da Passagem e a maioria procurou desqualificar o ato, chamando os responsáveis por vandalismo de “marginais, bandidos, vagabundos, maus elementos, escória e sem-vergonha”. Os legisladores cobraram a responsabilização de cada um dos ativistas.

Em meio à reunião, um ex-assessor da Prefeitura quebrou o quadro com a foto da ex-vereadora Marcela Moreira (PSOL), tirado da galeria da Casa.

A Polícia Civil apura responsabilidades pelo quebra-quebra no plenário e a Corregedoria da Câmara abriu investigação sobre a participação de assessores ou vereadores no ato — que resultou em um prejuízo de pelo menos R$ 50 mil.

Na sessão da última quarta-feira, um grupo de pelo menos 150 manifestantes invadiu o plenário para protestar e interrompeu a sessão. Foram depredadas cadeiras, mesas, a tribuna, revestimento da parede, fiação e sistema de som e vídeo. Entre os ativistas estavam militantes do PSOL, PSTU, movimentos estudantis, sindicais, anarquistas e punks. Eles pediam passe livre e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes.

Discurso

Amparados desta vez por um efetivo maior de guardas municipais (pelo menos 20 só no plenário, ante dois na última sessão) e da Polícia Militar, os vereadores utilizaram a tribuna para condenar os manifestantes. Disseram que não se tratava de um movimento que refletia a opinião da população e sim de “baderneiros” ligados a partidos.

“Foram 130 detidos. Vamos buscar um a um para que haja o ressarcimento dos valores gastos com o restauro do plenário” disse o presidente da Casa, Campos Filho (DEM). Mas o presidente também foi criticado por colegas como Cid Ferreira (PMDB) e Paulo Galtério (PSB). O peemedebista afirmou que tentou alertar Campos Filho sobre a invasão.

“Em guerra avisada, morre quem quer. Não consegui falar com ele (Campos Filho) porque é difícil ele atender.” Galtério questionou a ação dos advogados da Câmara que foram à delegacia. “O culpado é quem rouba ou quem deixa roubar? Não consigo entender o que aconteceu na delegacia. Por que ninguém saiu preso?”

Alvo

Os parlamentares aproveitaram também a sessão para atacar o vereador Paulo Bufalo — único representante do PSOL — pelo fato de parte dos manifestantes estar com camisetas da legenda e também pela participação da ex-vereadora Marcela e do presidente da sigla, Arlei Medeiros, no ato. “A população já deu o recado que não se sente representada pelos partidos”, disse o tucano Gilberto Cardoso, o Vermelho. O fato de Bufalo e de Pedro Tourinho (PT) terem ido até a delegacia para acompanhar a qualificação dos manifestantes foi alvo de críticas.

O Grupo de Apoio ao Transporte Escolar de Campinas também foi argumento para ataques a Bufalo. Na última semana, o vereador disse que o secretário de Transportes, Sérgio Benassi, não deveria ir à Câmara apenas para tratar de “projetinho”, mas para participar de discussões amplas. Tico Costa (PP), que convocou Benassi para discutir novas regras no transporte escolar, com apoio da categoria, foi até a tribuna criticar Bufalo. Já o vereador do PSOL disse que um projeto que beneficiaria a categoria (preferência ao transportador na entrada das escolas) foi vetado e que eles deveriam cobrar da Casa a derrubada do veto.

Bufalo afirmou que os vereadores deveriam refletir sobre o último protesto e que existe uma análise “rasa” do que houve. Alguns parlamentares disseram que foram ameaçados pelos manifestantes. “As ameaças foram mútuas”, disse.

Investigação

A suposta presença de assessores e vereadores no protesto e a possibilidade de terem incitado o movimento, motivaram o vereador Marcos Bernardelli (PSDB) a pedir à Corregedoria da Casa uma investigação. O corregedor Cidão Santos (PPS) afirmou que o processo já foi aberto e terá como relator o vereador Jorge Schneider (PTB). “Vamos analisar agora as imagens das câmeras de segurança e, posteriormente, dar início aos depoimentos.”

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Milene Moreto