Publicado 13 de Agosto de 2013 - 5h04

Menino brinca com pombos no Largo do Rosário, espaço conhecido por concentrar aves: proibição é rejeitada por alguns frequentadores

Edu Fortes/AAN

Menino brinca com pombos no Largo do Rosário, espaço conhecido por concentrar aves: proibição é rejeitada por alguns frequentadores

A Câmara de Campinas irá discutir na sessão desta quarta-feira (14) um projeto de lei do ex-vereador Paulo Oya (PSC) que proíbe a alimentação de pombos em locais públicos. Segundo a proposta, a medida é necessária porque irá evitar proliferação de doenças causadas pelas aves, além de preservar os espaços públicos. A discussão atual é o oposto do que acontecia nos anos de 1970, quando era comum os vereadores pedirem cotas de milho à Prefeitura para alimentar os pombos.

Um dos pontos polêmicos é em relação à autuação das pessoas. A fiscalização, segundo o projeto, será realizada pelos fiscais da Vigilância Sanitária, órgão que também deverá estipular o valor da multa a ser aplicada. A discussão do projeto está na pauta de quarta.

O ex-vereador não foi localizado pela reportagem para comentar o projeto, que entrará em discussão. Mas o texto justifica que o objetivo de impedir que munícipes alimentem os pombos em áreas públicas é pelo fato das aves serem responsáveis por “prejuízos materiais” porque “sujam bens de uso público e danificam edificações”.

Além disso, justifica que os animais contaminam a água e outros animais, transmitindo doenças como toxoplasmose, meningite, histoplasmose, criptococose, ornitose, salmonelose, pneumonia, alergias, rinites e crises de asmas brônquicas.

A lei, segundo o político, irá proporcionar controle natural da quantidade de pombos pelos ecossistema, “pois o alimento deverá somente ser obtido sem a interferência do homem, afastando, assim, as aves dos centros urbanos”.

A médica veterinária da Vigilância Epidemiológica e coordenadora dos programas de zoonose de Campinas, Andrea Von Zuben, informou que os pombos são alvo de muitas lendas urbanas e que não representam tantos riscos à saúde como divulgado.

“Pombos são mais um incômodo do que um risco para a saúde pública. O roedor transmite leptospirose, carrapato, a maculosa, mas o pombo não tem nenhuma doença importante relacionada a ele diretamente.”

O Largo do Rosário é um dos pontos de Campinas que concentra pombos. O aposentado William Martinelli, de 71 anos, é frequentador assíduo da praça e não se incomoda com os animais. Ele disse que raramente vê pessoas alimentando as aves. “Hoje é difícil de ver gente jogando as coisas para eles comerem.”

Cristina Bertuzzi, de 50 anos, trabalha em uma banca de jornal no Largo e defendeu quem alimenta os pombos. Ela criticou o projeto de lei. “Esses políticos precisam cuidar das nossas crianças, criar coisas que realmente melhoram a condição de vida dos campineiros.”