Publicado 10 de Agosto de 2013 - 5h02

Por Maria Teresa Costa

Catedral Metropolitana de Campinas já é patrimônio municipal e estadual

Cedoc/RAC

Catedral Metropolitana de Campinas já é patrimônio municipal e estadual

A Catedral Metropolitana poderá se tornar patrimônio brasileiro, informou a presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Adriana Flosi, que encaminhou ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pedido para a preservação da edificação. O tombamento pelo Iphan permitirá à Catedral disputar verbas federais para a conclusão do restauro. A restauração do prédio, paralisada em 2007, será retomada em outubro, informou o arquiteto Ricardo Leite, responsável pela recuperação do templo.

Dos R$ 7,1 milhões necessários à segunda fase das obras, foram conseguidos R$ 1,45 milhão, doados pelos bancos Itaú e Bradesco por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Há promessa do Bradesco, que aportou R$ 1,1 milhão, de destinar mais R$ 400 mil até o final do ano para a segunda etapa do projeto. Mesmo assim, será necessário um esforço grande para captar verbas e o tombamento federal, disse o arquiteto, poderá ser uma importante contribuição.

Com a liberação dos recursos, serão contratados os projetos executivos de arquitetura, elétrico, luminotécnico, de sonorização, prospecção de pintura, ensaios de argamassa e também será viabilizada a contratação da Concrejato, que será responsável pela restauração das fachadas. As obras começarão pela torre, passarão pelo campanário e terminarão nas fachadas, a parte mais trabalhosa. Arquitetura

A Catedral Metropolitana de Campinas, já preservada como patrimônio do Estado e da cidade, é feita de taipa, uma técnica construtiva em barro de tradição centenária em São Paulo. Foi justamente na fachada que a técnica apresentou problemas no passado e foi preciso fazer novo acabamento, com a intervenção do engenheiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo. A partir do projeto do arquiteto Cristóvam Bonini foi edificada uma nova estrutura de tijolos, capaz de sustentar os ?apliques? decorativos. Nessa nova estrutura, foram criados três planos decorativos em estilo clássico.

O primeiro é composto de colunas de inspiração jônica e uma parte central saliente coroada por um frontão triangular e uma série de quadros em relevo com a gravação das principais datas históricas do templo. O segundo plano é formado por duas janelas em arcada, de inspiração coríntia, e um grande relógio. O terceiro plano está assentado em uma base quadrada com uma pirâmide de coroamento, esfera e cruz de ferro.

Por fim, em 1923 a Catedral passou por novas reformas que criaram, entre outras intervenções, uma cúpula de cimento capaz de sustentar uma imagem da Virgem Maria no lugar de um pequeno zimbório de vidros coloridos.

No interior do edifício, há uma movelaria antiga composta de peças trabalhadas em madeiras, cadeiras austríacas, trono episcopal, crucifixo, lustres, candelabros de prata, órgão centenário, sacristia, relógio de parede e quatro sinos na torre de mais de 100 anos.

O projeto da segunda fase do restauro da Catedral havia sido anteriormente aprovado, mas perdeu validade porque a Arquidiocese não conseguiu, durante três anos, captar os recursos. Ele foi reapresentado e aprovado.

Na primeira fase do restauro, foram captados pela Lei Rouanet R$ 1,58 milhão, destinados à troca do telhado do templo para eliminar as infiltrações que, em dia de chuva, permitiam a entrada de água que acabava danificando altares e chão do centenário templo.

O telhado foi construído em três lances. Um, sobre a nave central, outro, do altar-mór e Capela do Santíssimo e outro que atravessa a igreja em frente ao altar-mór. Também foi feita a restauração do teto, com reformas na parte hidráulica e elétrica. Os três imensos lustres de cristais também passaram por restauro.

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Maria Teresa Costa