Publicado 09 de Agosto de 2013 - 17h56

Vista da aérea da Avenida Lix da Cunha: ônibus interrompem tráfego local

Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular

Vista da aérea da Avenida Lix da Cunha: ônibus interrompem tráfego local

A paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus de Campinas já dura mais de 12 horas, gerando caos na cidade. O sistema de transporte público campineiro possui 1.252 veículos, sendo 1.003 ônibus das empresas permissionárias e 248 micro-ônibus do transporte alternativo. Dos ônibus, 57% não circularam nesta sexta-feira (9) ou seja, dos 1.003, 571 deixaram de atender a população.

Os números são da Transurc, que representa as empresas permissionárias. O levantamento bate com o apontado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região, que indicou ociosidade de cerca de 60% da frota.

Com isso, as cerca de 235 mil pessoas que usam diariamente o sistema contaram com apenas 432 circulares e com 248 micro-ônibus do sistema alternativo.

Para tentar organizar o trânsito, 78 agentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) trabalharam no período da manhã e 50, à tarde. Os amarelinhos, como são popularmente conhecidos, também estão em greve. Os que trabalharam nesta sexta são os que não aderiram à paralisação que começou em 5 de agosto.

Na Justiça

A Prefeitura cobrou das empresas uma multa para cada viagem não realizada pelos ônibus do transporte coletivo e acionou o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que as empresas garantam urgentemente uma frota mínima de pelo menos 50% dos veículos. 

Caos pela manhã

A população foi surpreendida com mais uma paralisação dos ônibus nesta manhã de sexta-feira (9). Diversas vias da cidade ficaram congestionadas por conta de bloqueios formados por coletivos estacionados nos principais cruzamentos de Campinas. A Avenida Lix da Cunha, por exemplo, ficou totalmente parada e os passageiros desembarcaram dos coletivos e seguiram seus destinos a pé.

Os ônibus chegaram a sair das garagens, mas interromperam os itinerários, como em um movimento orquestrado, nos inícios de seus trajetos. Viaduto Cury, Avenida João Jorge, Avenida Senador Saraiva e Prestes Maia ficaram congestionadas. Reflexo no trânsito por toda a cidade. Os reflexos são sentidos também nas rodovias por conta dos gargalos nas entradas e saídas de Campinas. 

Segundo funcionários, o movimento é por conta da troca do convênio médico oferecido aos empregados pela empresa. 

Por volta das 5h, havia ônibus extras suprindo as linhas paradas na região de Barão Geraldo - que desde a noite de quinta (8) seguiam parados. Mesmo os motoristas que não quiseram aderir ao movimento, segundo a Emdec, foram obrigados a parar por razão dos bloqueios. A Emdec também acionou administrativamente as empresas para que a questão seja solucionada rapidamente e informa a população que os terminais Itajaí, Barão Geraldo e Ouro Verde funcionam e podiam ser usados. 

A operação dos serviços do eixo Cosmópolis/Paulínia e Monte Mor/Hortolândia /Sumaré ficou comprometida com a paralisação de 85 linhas intermunicipais, informou a EMTU. 

Pelas ruas, a população, que foi pega de surpresa pela paralisação, tem opiniões diversas. A estudante Gabriela Mascanha apoia a greve e clama por melhorias no serviço. "Acho necessária a paralisação. O poder público precisa melhorar as condições do transporte público da cidade. Se melhorar para os motoristas, a população sente as consequências", disse. Já a recepcionista Aparecida de Souza, que seguia rapidamente para seu trabalho a pé, disse que não sabia de nada até chegar a seu ponto na João Jorge. "Agora tenho que correr".

Segundo a assessoria de imprensa da Transurc, em reunião entre diretoria e funcionários, foram passados detalhes sobre o novo plano de saúde e os colaboradores compreenderam que ele é mais abrangente e vantajoso. Ainda em nota, a Transurc informou que não haverá co-participação no pagamento de consultas no Centro Médico AMIL/Rodoviários, a ser implantado em até 90 (noventa) dias, contados de 01/08/2013.

Internautas usaram as redes sociais para comentar o tema.  "Entendo o direito deles de reivindicarem melhorias, mas a população precisa trabalhar", postou Vivi Cruz. "Não tem nenhum ônibus no terminal de Hortolândia e segundo os fiscais todos os motoristas e cobradores estão fazendo greve", contou Andréia Valadares. "Pensa que é fácil sair de um plantão de 12 horas noturnas e ter que descer do ônibus e vir a pé? Isso já deu, a população é sempre a mais prejudicada e ninguém faz absolutamente nada", protestou Rosana Silva.

Histórico

Na quinta-feira (8), motoristas e cobradores de ônibus da empresa VB Transportes - que opera 55 linhas na área 3 (verde) - não saíram da garagem em Campinas. O movimento, que deixou 283 ônibus parados na garagem da empresa, atingiu cerca de 75 mil usuários. A paralisação começou às 6h e durou aproximadamente 12 horas. Somente por volta das 17h, os veículos voltaram a circular normalmente.