Publicado 13 de Agosto de 2013 - 15h55

Por Marita Siqueira

A banda Nenhum de Nós, que se baseou no CD lançado em 2011 para conceber o DVD Contos Acústicos..., que aposta na linguagem visual

Divulgação

A banda Nenhum de Nós, que se baseou no CD lançado em 2011 para conceber o DVD Contos Acústicos..., que aposta na linguagem visual

O rock oitentista com influência do folclore latino-americano da banda gaúcha Nenhum de Nós está ainda mais forte no DVD Contos Acústicos de Água e Fogo, baseado no CD lançado em 2011. Thedy Corrêa (voz e violão), Veco Marques (violão), Carlos Stein (guitarra), Sady Homrich (bateria) e João Vicenti (piano e acordeom), integrantes do grupo, dedicam duas faixas à língua espanhola, sendo uma delas composta pelo argentino Gustavo Cerati, ex-líder do Soda Stereo, que está há três anos em coma. A canção se chama Crímen e faz parte do disco solo de Cerati, Ah Ahí Vamos, de 2006.

O Soda Stereo atuou de 1983 a 1997 e foi uma das mais importantes bandas latino-americanas de rock dos anos 80 e 90, tornando-se grande referência para músicos do Nenhum de Nós. “É a maior banda de música com letra espanhola do mundo. Aqui no Brasil eles nunca se interessaram em investir, não sei te dizer o porquê. A musicalidade deles sempre nos influenciou. Teve uma primeira fase mais pop, que é muito diferente da fase intermediária final, na qual tornou-se mais melancólica, com referências inglesas. De qualquer forma tem uma sonoridade muito veiculada aos anos 80 e usa isso de uma forma muito interessante”, diz Carlos Stein. “E Gustavo era o motor criativo da banda, o compositor, o cantor”, completa.

Pela proximidade geográfica, o Nenhum de Nós, com raízes em Porto Alegre, manteve ao longo dos 27 anos de carreira contato com Uruguai e Argentina, por isso as canções em espanhol não surpreendem — muito pelo contrário. Além de Crímen, há no repertório a autoral Tu Vício. “A arte não deve assumir as fronteiras, no máximo reconhecê-las. Canções em espanhol são um meio de maior aproximação com esse público. O caminho natural será gravar um disco inteiro em espanhol”, afirma Thedy Corrêa. Porém, os grande sucessos ainda são em português.

Quem não se lembra de Camila, Camila, do primeiro disco, homônimo, de 1987, ou Astronauta de Mármore (versão de Starman, de David Bowie), do segundo trabalho, Cardume, de 1989, o qual vendeu 210 mil cópias?

No início da década 90, a banda garantiu seu segundo disco de ouro com o Acústico ao Vivo, relançado no ano passado. Desde então, passou a investir em versões acústicas. Para Stein, esse formato está mais próximo do processo criativo da banda. “A gente faz a maioria das músicas no violão e isso faz com que se adequem a esse tipo de formato. Também é uma forma da gente repensar nos arranjos. Gostamos muito de fazer e em certo momento, especialmente no segundo CD acústico, foi importante comercialmente também. Mas, o que nos move é repensar as músicas”, diz.

A busca por essa abordagem especial para o novo acústico ao vivo, com o fundamental detalhe de ser concebida para o formato DVD, culminou na parceria com o arrojado Claudio Veríssimo, experiente realizador de filmes publicitários e videoclipes. O resultado é um disco de música com arte, pois convive o tempo todo com a pintura, o desenho, a fotografia e especialmente, o cinema. “O DVD é a busca de diálogo entre o Nenhum de Nós no estúdio, gravando as versões acústicas do último disco, e uma linguagem visual que traga outro tipo de sensação a quem assiste. A gente tenta transportar quem está vendo o DVD para dentro do show”, afirma o vocalista. Em alguns momentos, as imagens (bosque, lago, cidade, trem, estrada, arabescos, figuras geométricas) são projetadas no telão ao fundo e, em outros, projetadas também nos músicos.

O Nenhum de Nós é a única banda fundada nos 80 a manter a mesma formação no Brasil, ao lado do Paralamas do Sucesso. Assim, arrebata diferentes públicos: os saudosistas da época, aqueles que nem haviam nascido naqueles anos, e os que enxergam o grupo como um dos poucos remanescentes do período áureo do rock nacional.

Escrito por:

Marita Siqueira