Publicado 12 de Agosto de 2013 - 11h09

Didi Wagner, foi VJ da MTV de 1999 a 2006, quando foi para o Multishow, onde ainda permanece

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Didi Wagner, foi VJ da MTV de 1999 a 2006, quando foi para o Multishow, onde ainda permanece

Com o sinal na TV aberta disponível até dia 30 de setembro, quando deixa de ser controlada pelo Grupo Abril, vira uma rede fechada e volta para as mãos da Viacom, dona da marca, a MTV Brasil vai continuar ecoando em outros canais. Precursora em formatos de programas e na comunicação segmentada para o jovem desde a inauguração, em outubro de 1990, a emissora musical lançou modas, apresentadores e teve ideias copiadas e desenvolvidas por concorrentes.

"O legado da MTV é, em primeiro lugar, a linguagem. Era autêntica, tinha um papo reto com a audiência, não mostrava só o lado bonito do apresentador. Antes, só existia o padrão Globo, não podia engasgar, dizer no ar que não sabia que o perguntar para o artista", avalia Didi Wagner, VJ de 1999 a 2006, quando foi para o Multishow, onde ainda permanece.

Apresentadora com mais tempo contínuo no ar na MTV, entre 1995 e 2011, Marina Person, atualmente na TV Cultura e Canal Brasil, identifica o impacto da emissora no País. "Nossa, teve cópia de tudo. Começou com o Esporte Espetacular, colocando reportagens com música, fazendo edições ágeis e com linguagem descolada. Todos os canais começaram a fazer coisas parecidas."

Ela diz que a matriz da MTV, nos EUA, também influenciou a TV por lá. "Inclusive, o Oscar copiou, porque o MTV Movie Awards fazia paródias de filmes com as grandes estrelas e o Oscar começou a copiar. Foi um sintoma mundial."

Um dos formatos da MTV norte-americana que se consolidou no Brasil foram os acústicos. "Como programa, ninguém copiou, mas está cheio de artista com discos acústicos lançados por aí", relembra Zico Goes, atual diretor de programação, que entrou no canal em 1992, saiu em 2008, mas retornou em 2011, após passar pelo GNT.

Zico, que ajudou a criar dezenas de atrações, enumera parte das que ganharam sobrevida em outras emissoras. "Tivemos o Pé na Cozinha (1998), em que a Astrid Fontenelle fazia entrevistas numa cozinha. Ninguém ousava. Hoje, até o Ronnie Von faz."

Em 1999, quando foi para a Band após nove anos na MTV, Astrid teve um quadro idêntico. "Não que seu seja insubstituível, mas levei porque era eu. E foi feito com autorização. O próprio artista cozinhava. Às vezes, dava errado, não era com um chef", disse à reportagem. Hoje, ela está à frente do "Saia Justa", no GNT, canal onde mediou conversas ao vivo no "Happy Hour", quase uma década depois de ficar craque no ofício, no "Barraco MTV".

Apesar da tradição na música, o canal impôs suas criações em atrações de esporte, como o campeonato "Rockgol", no ar pela primeira vez em 1995, em que os jogos eram narrados com humor. "Em um momento, o Paulo Bonfá e o Marco Bianchi foram para a Band para narrar. Depois (de voltar para a MTV), o Bonfá foi para o SporTV", conta Zico.