Publicado 11 de Agosto de 2013 - 19h07

Por Ana Cristina Andrade

Maria Thereza diz que projeto mudou seu jeito de falar, está mais calma e alegre

Antonio Trivelin/AAN

Maria Thereza diz que projeto mudou seu jeito de falar, está mais calma e alegre

Cordas agudas, cordas graves, madeiras, metais e percussão. Nas mãos de crianças assistidas pelo Projeto Guri, esses elementos, que se juntam a um coral de 350 vozes mirins, resultam em um espetáculo grandioso e emocionante.

A música, ensinada pelo programa de formação musical da Secretaria de Estado da Cultura, vem transformando vidas e mudando comportamentos.

É o que aconteceu com Maria Thereza Sant'Ana Ocana, 9, que era muito agitada, atropelava as coisas e, na escola, escrevia uma palavra colada na outra. Após um ano e seis meses de aula de violino, segundo a mãe Juliana Sant'Ana, 34, a menina está calma, fala baixo, pausadamente, tornou-se uma ótima aluna e tem maior concentração em sala de aula. "Tem sido um calmante para ela", declara Juliana, que não disfarça o orgulho ao falar da pequena.

A artesã, que acompanha a filha aos ensaios duas vezes por semana, no Armazém da Cultura, onde fica esperando 13h30 às 18 horas, diz que se sente em casa. "O mais incrível neste projeto é que eles acolhem a criança independente da condição social. Aquele que tem menos é tão valorizado quanto os outros", afirma. No projeto são atendidas crianças das redes pública e privada.

No intervalo de uma hora, segundo Juliana, a filha faz a lição de casa e brinca no parquinho da Estação da Paulista. Ela acompanha os ensaios da filha atentamente, mas na primeira apresentação dela na orquestra, confessa que derramou um rio de lágrimas. "A gente fica mais chorona. A primeira apresentação dela foi a mais linda de todas. Não é papo de mãe coruja. É de arrepiar mesmo. Parece que vou explodir de tanto orgulho e emoção", diz ela.

Com seu jeitinho meigo, a menina confirma tudo o que a mãe diz. "Mudei meu jeito de falar, estou mais educada, me sinto muito mais alegre, sem contar as amizades que fiz", relata Maria Thereza. Seu professor é Mitchell Assis.

Vyvian Almeida Martins, 9, tem tanto amor pelo violino que exibe, no pescoço, uma correntinha com o pingente igualzinho ao instrumento. A menina, que mora no Jardim Maria Cláudia, região do bairro Boa Esperança, fez aula de flauta doce na escola - hoje cursa o terceiro ano. Com uma desenvoltura impressionante, ela conta o que o projeto vem fazendo em sua vida.

"Hoje, sou mais ativa na escola, me interesso muito mais pelas coisas, principalmente pela música e quero continuar tocando instrumento musical no futuro". Essa semana, segundo apurou a Gazeta, Vyvian surpreendeu uma colega que aniversariou, ao surgir na festa tocando Parabéns a Você, no violino. Filha de casal evangélico, ela canta e toca na igreja.

Considerada a "raspa do tacho", pois quando nasceu a irmã tinha 12 anos, segundo a mãe Mirian de Almeida Martins, 41, Vyvian sempre foi desinibida. "Desde os dois anos de idade, quando a gente estava no culto, ela subia no púpito, grudava na calça do pastor e ficava pedindo o microfone para cantar", explica a mãe.

"Aos seis anos, ela queria aula de canto, mas somos de uma família simples, meu marido trabalha como porteiro, e não teve como pagar. Surgiu, então, a oportunidade de entrar no coral do Projeto Guri e agora está no violino. Ela ama o projeto e eu faço questão de levá-la em todas as aulas. Tenho privilégio de ter uma filha igual a Vyvian. A outra, mesmo casada, continua estudando. Sou grata a Deus pela vida das minhas filhas", completa.

INSCRIÇÕES

Informações podem ser obtidas pelo telefone (19) 3422-0912.

Escrito por:

Ana Cristina Andrade