Publicado 09 de Agosto de 2013 - 15h01

Por Rubens Morelli

Colunista do Correio Popular Rubens Morelli

AAN

Colunista do Correio Popular Rubens Morelli

Eu acho que não vivo mais no país em que vivia até recentemente. Naquele tempo em que o futebol era a paixão nacional. Pois eu me lembro que ir ao estádio e torcer pelo meu time era uma coisa que não pesava tanto no bolso. Hoje fico abismado com o valor dos ingressos praticados por aí.

Quando os bilhetes deixaram de ser 10 pratas — a inteira —, passei a me perguntar se valia a pena ir aos estádios todas as semanas. Afinal de contas, não tinha percebido nenhuma mudança no conforto dentro e fora do estádio, muito menos na qualidade do jogo em si.

O preço foi aumentando e a arquibancada foi ficando mais surrada. A única diferença, de tempos em tempos, era a mão de tinta nela. Quanto vale um jogo de futebol? O tio da bilheteria passou a anunciar 30 mangos, 40 doletas, 50 dinheiros. Mas, cá entre nós, o preço é justo?

A Copa do Mundo foi anunciada e, com ela, a promessa de melhorias nos estádios. Tirando as óbvias exceções, as únicas melhorias concretizadas são para os palcos do Mundial.

E aí vejo que o Maracanã, o mais tradicional de todos, depois da reforma passou a cobrar 160 paus! Como assim? O torcedor carioca, bem-humorado que só ele, protestou indo ao estádio com smoking e cartola, fumando um charuto, bebendo vinho francês. De repente, percebi que estou vivendo em um país de magnatas e não sabia.

Bom, o futebol já saiu da realidade há muito tempo. Os valores astronômicos pagos nos salários de jogadores são os maiores exemplos disso. E não só os salários. Há um descontrole absurdo na compra e venda de jogadores. Nesta semana, por exemplo, o Real Madrid ofereceu 100 milhões de dinheiros — em qualquer moeda, é muito! — pelo inglês Gareth Bale, valor prontamente recusado pelo Tottenham, que diz querer mais 20 milhões (!). Aonde vamos parar desse jeito?

Voltando à situação brasileira, especificamente à do Maracanã, o consórcio responsável pela administração do espaço — aquele mesmo que pegou o estádio depois de reformado, sem gastar um tostão furado nas obras — decidiu que vai baixar os valores dos ingressos para evitar que as cadeiras centrais fiquem vazias em dias de jogos. Como dizem, imagem é tudo e o esvaziamento deve fazer mal para os negócios das empresas envolvidas.

E a TV, aquela que diz que é muito bonito ver o estádio cheio, em off acha mais lindo ainda ter todos os torcedores no sofá de suas respectivas salas. Quanto maior o Ibope, mais cara fica a cota de patrocínio, como o leitor, que não é bobo, sabe.

No fim, o futebol é lucrativo, sim. Menos para nós, pobres e mortais torcedores.

Escrito por:

Rubens Morelli