Publicado 11 de Agosto de 2013 - 5h00

A escritora Júlia Lopes de Almeida, que morou em Campinas na infância, era considerada a mulher de mais prestígio no meio cultural do País

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A escritora Júlia Lopes de Almeida, que morou em Campinas na infância, era considerada a mulher de mais prestígio no meio cultural do País

A escritora Júlia Lopes de Almeida, cujo nome de batismo era Júlia Valentina da Silveira Lopes (1862-1934), autora de romances como Memórias de Martha e A Família Medeiros, mudou-se com a família do Rio de Janeiro para Campinas quando tinha sete anos de idade. Na cidade teve aulas particulares de inglês com o escocês Mr. John H. Bryan e de piano com o italiano Emilio Giorgetti. Ambos tiveram enorme influência na formação de Júlia.

 

Ela começou a escrever para a Gazeta de Campinas em 1881. Por mais de 30 anos, publicou crônicas em jornais e revistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os artigos eram assinados com os pseudônimos A. Julinto ou Ecila Worms. Na década de 1890, Júlia escreveu para publicações voltadas às mulheres, como o Jornal das Senhoras. Em 1919, com Cassilda Martins, fundou o periódico feminino Nosso Jornal. Foi indicada para a Academia Brasileira de Letras, mas, por ser mulher, não assumiu seu lugar, que foi cedido ao marido, Filinto de Almeida.

Em 1922, a convite de Bertha Lutz, participou da Comissão de Relações Internacionais e Paz do I Congresso Internacional Feminista, promovido pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Quando a organização realizou o segundo congresso, em julho de 1931, no Rio, foi Júlia quem discursou – ela era considerada a mulher de maior prestígio no meio cultural de todo o País. Foi um momento bastante significativo porque as mulheres se organizavam para obter o direito de voto, o que se concretizaria em 1934. Ela, ainda, subiria em palanques reivindicando a construção de creches.

 

À frente do seu tempo

Júlia desempenhou importante papel na evolução das ideias feministas no Brasil. Algumas de suas personagens apresentam e discutem essas propostas, enquanto outras evidenciam em suas falas posições preconceituosas sobre a condição das mulheres. Isso tudo é fundamental, dentro da abordagem de gênero, para caracterizar a intelectual como uma mulher à frente de seu tempo, por suas atitudes inovadoras.

O trabalho de Júlia foi muito bem analisado por Marly Jean de Araújo P. Vieira para um seminário sobre a mulher na literatura. “Adotando uma postura conciliadora, negociando o tempo todo com a sociedade em que vivia, Júlia Lopes conseguiu divulgar este conteúdo, problematizar questões específicas da condição feminina e contribuir para a projeção de um novo perfil para a mulher nos anos finais do século 19”, disse Marly.

Em entrevista concedida a João do Rio entre 1904 e 1905, Júlia confessou que adorava fazer versos, mas os escrevia às escondidas. Em 1887, casou-se com o jovem escritor português Filinto de Almeida, diretor da revista A Semana, editada no Rio e que recebeu a colaboração sistemática de Júlia por vários anos. Sua produção literária foi vasta, com mais de 40 volumes abrangendo romances, contos, literatura infantil, teatro, jornalismo, crônicas e obras didáticas. Em Campinas, a Rua Júlia Lopes de Almeida fica no Jardim Santa Mônica.

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O monumento a Júlia, feito por sua filha Margarida, fica no Rio de Janeiro; a escritora também deixou os filhos Afonso e Albano Lopes de Almeida, ambos escritores