Publicado 12 de Agosto de 2013 - 1h12

Colunista Maurício Fregonesi Falleiros

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Colunista Maurício Fregonesi Falleiros

A campainha tocou. Só podia ser ela. Christopher atendeu a porta e lá estava Lucinete, uma solteirona que ele conhecia do escritório, e que estava flertando com ele.

O anfitrião pediu para que a moça entrasse e se acomodasse, enquanto ele iria pegar uma bebida para os dois. Ela pediu para ir junto.

Já no bar, ele separava uma garrafa de vinho – de uma ótima safra, para impressionar –, quando ela disse:

– Não tem uma cerveja, não?

Surpreso, Christopher respondeu:

– Ter, até tem. Mas quero que hoje à noite seja especial...

– E precisa de vinho pra isso?

– Precisar, não precisa. Mas um vinho deixa tudo melhor.

– Ainda prefiro uma cerveja.

– Esse vinho vai mudar sua opinião.

– Tenho minhas dúvidas...

– Esse vai. É uma garrafa rara, de uma safra especial.

– Acho que ainda prefiro uma cerveja, da comunzinha mesmo...

– Você vai mesmo deixar de experimentar um vinho escolhido a dedo, que eu selecionei exclusivamente para hoje?

– Ok, ok... Se você insiste tanto, vamos de vinho, então...

– Ótimo!

Christopher abriu a garrafa e serviu as taças. Os dois brindaram e começaram a beber. Lucinete puxou assunto – fazendo uma cara azeda, por causa do vinho:

– E aí, separou algo pra gente beliscar?

– Muito melhor! Preparei um jantar de primeira para nós.

– Que homem prendado, hein? O que fez pra gente?

– Uma coisa finíssima: lagosta!

– Lagosta?!

– É, lagosta. Vai me dizer que não gosta de lagosta? Ou... Meu Deus, você não é alérgica a lagosta, né?!

– Não! Não sou alérgica. Aliás, sei lá se sou alérgica, eu nunca comi lagosta! Lagosta é coisa de gente fresca!

– Fresca, não! É coisa de gente sofisticada.

– Que quer dizer a mesma coisa que gente fresca. Inclusive, você bem que gosta de uma coisinha fresca, não? Vinho, lagosta...

– Eu gosto de coisas sofisticadas, é diferente. E você vai passar a gostar também, começando pela minha lagosta!

– Sei... – disse Lucinete, olhando para os lados, meio desconfortável.

– Bem, enquanto o jantar não fica pronto, vamos dar uma voltinha? Quero que você conheça minhas esculturas...

– Você tem esculturas em casa? – questionou a moça, com um ar sério.

– Claro. Não quer conhecê-las?

Lucinete não respondeu. Simplesmente virou a sua taça de vinho em um gole – fazendo uma cara azeda de novo –, agradeceu a bebida com um gesto e foi embora. Pra algum bar da cidade provavelmente, tomar uma cerveja.

Arrasado, Christopher largou o vinho, pulou a lagosta e foi direto se acabar no petit gateau, assistindo algum filminho açucarado na TV.