Publicado 13 de Agosto de 2013 - 5h00

Por Maria de Fátima

Maria de Fátima

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Maria de Fátima

O quíntuplo homicídio, ou seria quádruplo homicídio e um suicídio, ocorrido em São Paulo na semana passada traz muitas dúvidas sobre sua autoria.

Para a polícia, principalmente na figura do delegado que comanda as investigações, o crime já está solucionado, desde o princípio. Ele afirma categoricamente que foi o garoto, Marcelo, quem matou toda a família e em seguida se matou.

Vejamos algumas considerações a respeito deste trágico fim desta família. A polícia, sempre, tem muito mais informações do que divulga, mas, nem sempre acerta em suas constatações.

Vi fotos divulgadas na mídia que me deixaram atenta para alguns fatos.

Uma das senhoras mortas, a mãe ou a tia da mãe do garoto, está deitada completamente coberta, ficando apenas a cabeça descoberta. Ela poderia dormir desta forma porque estava com muito frio. Já a outra senhora, aparece com uma roupa que não se assemelha às vestes usadas para dormir, com manga curta e com o braço e parte do corpo descobertos. Isto sugere que ela sentia muito calor, para dormir sem cobrir o corpo todo. Será que ela não usava uma roupa específica para dormir? Dormia de roupas comumente usadas no dia a dia? Isto parece improvável.

As duas, mãe e filha tinham percepção de temperatura completamente antagônica, pois no mesmo ambiente uma estava com calor e a outra com frio. Quanto aos remédios tranquilizantes, próximos a elas, até o momento a polícia não informou a razão deles se encontrarem na cena do crime.

O pai Luis Marcelo, era sargento da polícia militar e estava morto como se tivesse morrido naturalmente, sem sinais de sofrimento ou de qualquer reação. A polícia não informa se ele tinha o sono pesado, a ponto de não acordar com a presença de terceiros.

E, ao que tudo indica, ele pode ter morrido até dez horas antes das outras pessoas. Na residência, mesmo sendo uma casa pequena, ninguém tinha observado que ele estava morto, com um tiro na cabeça?

A mãe, cabo da polícia militar Andréia, também foi alvejada na cabeça e sua posição demonstrava que tinha sido ‘rendida’, visto que estava de bruços, ajoelhada e com os braços cruzados na frente da cabeça.

Já o Marcelo, considerado oficialmente – mesmo que ainda sem a conclusão das avaliações periciais – pelo delegado como o autor das mortes, em uma foto aparece vestido, caído ao lado da mãe. Em outra foto, divulgada em uma emissora de televisão que afirma ter obtido as fotos da própria perícia, aparece apenas de cueca.

Caso estas contradições, em termos de fotografia existam, parece que aquele local do crime foi modificado. Penso que seria um absurdo os peritos terem retirado a roupa do garoto, naquele lugar, e apenas isto poderia explicar a presença ou ausência de roupas.

Outro fato que chama muito a atenção é que a casa foi completamente modificada, dois ou três dias após os crimes. Aparecem imagens de familiares retirando móveis e outros objetos da residência, com a ajuda da própria polícia. Não seria o caso de se manter a casa lacrada e inviolável até que todos os crimes fossem realmente esclarecidos?

O que se fez protagonizou uma cena lastimável de incapacidade profissional, daqueles que deveriam manter o ambiente incorruptível, tal como foi encontrado. Buscar digitais, cabelos e outros indícios que poderiam indicar a presença de pessoas alheias ao ambiente familiar, fica completamente impossível.

É verdade que Marcelo poderia ter matado toda sua família, mesmo não sendo usual isto acontecer em nosso país.

Mas qual seria o motivo para isto ocorrer? Todos são unânimes em referirem-se a ele como um garoto educado, afetivo e que muito amava sua família. Em nenhum momento se soube de alguém que afirme ter observado desavenças contundentes entre eles.

A polícia afirma, também, que o garoto aprendeu a dirigir com a mãe e a atirar com o pai. Em que eles se baseiam para tirar estas conclusões?

Um crime como este, poderia ser investigado com o método da ‘autópsia psicológica’, que tem como um de seus objetivos o entendimento de mortes duvidosas.

Não devemos acreditar em afirmações que não tenham um caráter científico, afinal, ninguém mata sua própria família sem uma motivação séria e depois se suicida, na volta da escola!

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