Publicado 13 de Agosto de 2013 - 0h00

Manuel Carlos - correio

Cedoc

Manuel Carlos - correio

Certa vez, fui passar alguns dias no Litoral para curtir a natureza. Como é bom descansar depois de não fazer nada.

Após muitos dias de chuvas e tragédias para milhares de famílias acontecidas naquele ano, fui ao encontro do sol e do mar com o coração apertado. As tragédias têm sido recorrentes por pura incompetência de gente sem escrúpulos, que transformam esses fatos em máquinas eleitoreiras, querendo mostrar serviço depois do caos.

Caminhava pela belíssima praia de Barequeçaba e fui encontrando pelo caminho centenas de pequenos buraquinhos na areia. Logo à frente, deparei-me com um pescador, que estava retirando da areia aqueles bichinhos, utilizando-se de um cano que os sugava.

Curioso, perguntei o que faria com eles e me respondeu que eram iscas fantásticas para pescaria no mar.

Já tinha ouvido falar neles, mas não me lembrava do nome e perguntei como chamavam. Chamam-se corruptos, disse-me ele.

O nome era bastante adequado, pois deixavam pequenos vestígios e desapareciam na areia.

Perguntei se eram deputados ou senadores e o humilde pescador disse-me não saber, pois muitas vezes eram também presidentes, governadores e prefeitos.

Sua resposta foi perfeita e fiquei a imaginar como seriam úteis esses pequenos corruptos para apanhar peixes grandes.

O humilde pescador, com sua experiência, poderia ser nomeado ministro do Tribunal de Contas, promotor de Justiça, juiz, desembargador, ministro do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal e tudo se resolveria.

Tal ideia é utópica, produto de quem estava aproveitando o ócio e que na civilização inca já estaria condenado.

A realidade é outra e estamos vivenciando no País uma competição acirrada para se saber quem é mais corrupto.

O PT, antes de chegar ao poder, defendia a primazia da moral. Sustentava o monopólio do puritanismo, acusando todos os demais partidos políticos de toda sorte de depravação. Não demorou a mostrar sua verdadeira cara e protagonizou o mensalão, o uso abusivo dos cartões corporativos e tantas outras mazelas.

O PSDB, criador dos cartões corporativos, também quis ter o seu mensalão e agora enfrenta grave acusação da formação de um cartel na linha cinco do Metrô. O Cade, órgão do Ministério da Justiça, segundo o governador de São Paulo, vazou as informações para a imprensa com o objetivo de constranger os governadores tucanos.

Como acontece invariavelmente no Brasil os atos de corrupção são justificados por contendas políticas e nada se quer apurar.

Foi também dessa forma que reagiu o governador paulista ao acusar o Cade de ser uma polícia política, mas deveria, isto sim, já ter aberto investigações imediatas para apurar as graves acusações.

O pescador nos ensinou que o corrupto é uma grande isca para peixes grandes. Vamos pescar.