Publicado 24 de Agosto de 2013 - 5h00

JULIANNE CERASOLI

Cedoc/ RAC

JULIANNE CERASOLI

“Se tivéssemos o melhor carro, teríamos terminado com dobradinha em todas as corridas e em cada um dos mundiais, mas nós não temos”, declarou recentemente o chefe da Red Bull, Christian Horner, valorizando sua dupla de pilotos. Nos últimos 85 GPs, Sebastian Vettel venceu 29, mais de um terço. Mark Webber? Nove. Neste universo de 38 vitórias, foram 13 dobradinhas, três com o australiano à frente. Será que o carro não é tão bom ou alguém ficou devendo?

Devido à prioridade dada à eficiência aerodinâmica nos carros da Red Bull, o melhor jeito de aproveitar seu máximo rendimento é largando na frente. No meio do pelotão, a pouca velocidade de reta acaba dificultando as ultrapassagens e Webber, ao classificar-se pior do que Vettel, sabe bem disso. Mas teremos talvez em 2015 — acho que qualquer um que chegar ano que vem terá muita dificuldade em bater o tricampeão em uma equipe à qual está totalmente habituado — uma medida do quanto isso atrapalha o desempenho do australiano. E o quanto foi ele quem deixou a desejar.

Não é segredo que Webber é tratado pela influente mídia inglesa como prata da casa. E que suas reclamações de desigualdade dentro das equipes por que passou ganharam mais manchetes que seus desempenhos apagados, principalmente nas últimas três temporadas, em que não chegou a ser responsável por 40% dos pontos de seu time.

Mas é curioso como o australiano nunca foi questionado da maneira que Felipe Massa tem sido. Sim, a queda do ferrarista é visível de 2010 para cá. Porém, o que o brasileiro deve em relação ao australiano em sua carreira?

Em seus anos mais competitivos, ambos tiveram grandes companheiros de equipe, mas a Ferrari de Massa nunca foi dominante como a Red Bull de Webber — e nem esteve constantemente na briga por vitórias por cinco anos seguidos, com o time anglo-austríaco. Ainda assim, são 11 vitórias para Felipe e nove para Mark. E o brasileiro tem 24 GPs a menos.

Talvez essa percepção tenha a ver com a maneira como os dois jogaram o jogo do segundo piloto. Talvez seja fruto da decepção com um piloto que andou muito bem contra Raikkonen e disputou um título com méritos contra outro que cultivou a imagem de sempre estar no lugar e hora errados.

Mas, de uma maneira ou de outra, Webber sempre renovou seus contratos com antecedência — e garantindo que eram de um ano por decisão sua — e conseguiu causar furor em Silverstone quando ficou claro que surpreendeu seu time com o anúncio da aposentadoria. E vai dar um jeito de sair por cima no GP do Brasil.