Publicado 23 de Agosto de 2013 - 5h00

JOAQUIM MOTTA

CEDOC

JOAQUIM MOTTA

Sabemos que desenvolver pesquisas afetivas e sexuais é um trabalho importante - e nem sempre valorizado – para a maior parte das pessoas.

Quem se considera incluído no grupo majoritário tem a tendência de se considerar “normal”. Daí, é fácil acomodar-se e não dar atenção às dificuldades e limitações.

As minorias ficam mais atentas, avaliando as informações para ratificar suas posturas ou tentar alguma reciclagem ou radicalização, como ocorre com a população homossexual, que corresponde a 10% das pessoas.

O termo “homoafetividade” criou novas perspectivas para os relacionamentos homossexuais, incluindo-os no contexto de pessoas que se amam. Antes, era como se eles só fizessem sexo...

Mesmo na maioria, sejam pessoas acomodadas ou não, é positivo receber dados e informações, pois se pode combater uma impressão desfavorável que alguém tenha de um aspecto íntimo seu ou de sua parceria.

Um homem que não tem (ou não mantém) boa ereção em determinada experiência sexual pode se preocupar menos com o desempenho quando descobre que os episódios de disfunção erétil são mais generalizados e dependentes dos afetos do que supunha.

Uma mulher “frígida” (ainda se diz, apesar do verbete em desuso) pode se sentir uma pessoa incompetente para o sexo porque não tem prazer intenso com a penetração. Ela ainda não foi informada sobre o número (cerca de 30%) das mulheres que só têm essa intensidade orgástica no clitóris.

Quem se sente o único padecente de um problema ou se imagina exclusivo em um estilo ou tendência pode se comparar com os dados pesquisados. É claro que nem sempre a comparação terá resultado tranquilizador, mas vale a pena assimilar a informação.

Os números das mais recentes pesquisas de alcance nacional e latino-americano apontaram que, de um modo geral, homens e mulheres brasileiros estão satisfeitos com a vida sexual. Para a vida amorosa, há poucos levantamentos.

Os brasileiros têm 20% parceiros a mais do que os outros latino-americanos, mas a qualidade nem sempre acompanha a quantidade.

Os homens têm afirmado cada vez mais frequentemente que se preocupam com o prazer feminino e, ao contrário do que as mulheres reclamam, parecem dispostos a “discutir a relação”. Mas ainda resistem a falar abertamente da disfunção erétil.

Uma mudança dialética e democrática de comportamento masculino é muito expressiva. Afinal, os homens têm uma herança de perfil egoísta e machista em sua sexualidade.

No entanto, em relação a promover o orgasmo da parceira, é preciso considerar um redutor, pois, para o homem, a satisfação feminina é afirmação de sua masculinidade.

As avaliações vêm mostrando paulatinamente que a infidelidade das mulheres está assumindo valores maiores, aproximando-a da taxa dos homens. A equidade dos gêneros sexuais se confirma até nos comportamentos considerados imorais.

Os números mais recentes indicam que cerca de 70% dos homens e 50% das mulheres dizem ter traído pelo menos uma vez na vida.

O sexo pela internet também se vulgariza, bem como a questão implicada sobre o seu valor como infidelidade. E é mais comum entre os homens, que buscam os sites de pornografia e as salas de bate-papo para se masturbar. Mas a sua caracterização como conduta de traição é juridicamente indefinida. Conforme o ângulo do envolvimento, é pessoal e passional.

A sexóloga Carla Cecarello comenta que o autor do sexo virtual não acha que está traindo, mas o parceiro que descobre sempre se sente traído.

As brasileiras estão se servindo cada vez mais dos vibradores para se masturbar e também aproveitando mais o sexo oral para vivenciar o orgasmo. E os adolescentes (de 14 a 18 anos) estão mais propensos a usar o preservativo do que os adultos acima de 40 anos.

O diálogo sexual continua débil entre os casais. Quase 60% dos casais não dizem nada ou fala raramente de suas fantasias e desejos. Essa debilidade, infelizmente, reduz muito a aproveitamento erótico e afetivo dos casais.

Carmita Abdo, psiquiatra e sexóloga, destaca essa contradição brasileira: “já que falamos tanto de sexo, por que não comunicamos nossas preferências, dúvidas, gostos?”...

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