Publicado 10 de Agosto de 2013 - 7h10

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

Grêmio e Internacional foram muito criticados pelo futebol pobre apresentado no Gre-Nal de domingo passado, na Arena do Grêmio. O clássico terminou empatado, foi muito pegado e teve mais cartões vermelhos do que gols. Renato Gaúcho e Dunga, os técnicos, são ídolos de suas torcidas desde o início de suas carreiras, no início dos anos 80. Como atletas, tinham características opostas. Como técnicos, são mais parecidos.

O ponta Renato Gaúcho era irreverente dentro e fora de campo. Ousado, partia para cima dos laterais, marcava gols e era preocupação constante para os adversários. Em muitas oportunidades, o Brasil inteiro clamou por sua convocação para a Seleção, desejo que Zé da Galera, personagem de Jô Soares, imortalizou com o bordão "Bota ponta, Telê."

Com o volante Dunga a situação era inversa. Seu estilo de jogo, por razões óbvias, era outro, mas as diferenças não se limitavam à posição de cada um em campo. Renato era extrovertido, brincalhão, meio palhaço. Sua imagem era de um atleta indisciplinado. Dunga já era mais introvertido, sério, e se fechou de vez após a Copa do Mundo de 1990, na qual teve Renato Gaúcho como companheiro de Seleção Brasileira. O fracasso do time de Sebastião Lazaroni foi atrelado a sua imagem, com a criação da "Era Dunga".

O volante deu a volta por cima quatro anos depois, quando se imortalizou como o capitão do tetra. Seu jeito não mudou e o bom trabalho que desenvolveu como treinador da Seleção entre 2006 e 2010 às vezes fica em segundo plano pelo destaque que costumam dar ao seu difícil relacionamento com a imprensa.

Dunga sempre foi assim, mas Renato mudou. Mais experiente e agora na função de comandante, ele não pode ser brincalhão e permissivo com seus atletas. Certamente não suportaria ter um atleta como ele foi.

Natural que seja assim, mas ele poderia, ao menos, armar times mais ofensivos, valorizar o bom futebol. No Gre-Nal, mesmo em casa, armou sua equipe com três zagueiros e dois volantes. Sua prioridade foi não deixar o Inter jogar. A ousadia ficou no passado e, pelo menos nesse clássico, Renato foi mais conservador do que seu adversário. Tomara que mude. Marcar muito bem é fundamental para qualquer time que tenha a pretensão de conquistar títulos. Jogar bola também.

Um bom treinador deve ser exigente no que se refere à disciplina. O futebol profissional não tem espaço para os boleirões de antigamente. Hoje, quem não se empenha como um atleta, não consegue jogar. A alegria do futebol bem jogado, porém, não pode ficar no passado.

Escrito por:

Carlo Carcani