Publicado 25 de Agosto de 2013 - 14h09

Por Adriana Ferezim

Desde sábado, Piracicaba é a capital mundial do humor. O 40º Salão Internacional de Humor já pode ser visitado no Engenho Central. A psicóloga clínica Margarete Zenero afirma que participar do evento funciona quase como uma terapia, porque as pessoas riem, se divertem com os trabalhos dos cartunistas e o sorriso é contagiante. Ela avalia que os artistas conseguem, de forma lúdica, transmitir uma mensagem humorada de diferentes situações, inclusive as mais difíceis enfrentadas pela sociedade. E é esse o segredo para o alto astral.

Ela explicou que o bom humor ajuda a encontrar soluções para situações desagradáveis, ou seja, a pessoa consegue ver o lado bom das coisas ruins. No entanto, Margarete alerta que há dois tipos de humor. O infantil, que a pessoa utiliza para fugir de tudo e o da maturidade, em que a pessoa enfrenta uma dificuldade com brincadeira ao mesmo tempo em que busca uma alternativa séria para sua solução. "Ela enfrenta o problema com bom humor. Supera uma frustração aplicando o lúdico em cima de uma realidade não tão agradável", ressaltou.

Essa prática é algo que se aprende desde a infância, conforme Margarete. "A reação da criança em saber lidar com a negativa dos pais para algo que ela quer, com a frustração, é o que vai contribuir para ela se tornar um adulto feliz. Uma criança que supera suas frustrações aprende a esperar, a respeitar limites saberá enfrentar as dificuldades quando adulta, diferentemente daquelas que recebem tudo o que querem e que não aprendem como superar as frustrações. Por isso é importante estabelecer regras e ensinar valores para as crianças".

Margarete alerta que as causas do mau humor também podem ser pela falta da serotonina, substância química que atua nos neurônios no cérebro, além de outras substâncias produzidas pelo organismo que influenciam no humor. "Por isso é importante uma alimentação balanceada e realizar atividade física, de preferência mais de 30 minutos diariamente, para o organismo produzir essas substâncias".

Mas, segundo ela, a maioria das pessoas que não conseguem abandonar o mau humor tem motivos psicológicos. "O humor está relacionado à autoestima e o mau humor ao egocentrismo e ao narcisismo", comentou a psicóloga. COTIDIANO

As conquistas são mais fáceis para uma pessoa bem humorada. "Ela tem mais amigos, tem autoestima e não fica escrava do externo, como a aparência, se é gorda, magra. O bom humor permite que a pessoa tenha mais sucesso, mais confiança, consegue se expressar melhor e evita que pessoas tenham ideias preconcebidas a seu respeito porque é agradável estar com ela. Já o mau humor limita a questão social, a pessoa é insegura, geralmente é ciumenta e não consegue criar, fica presa às regras e compara a vida dela com a do outro, mas a dela é sempre pior", afirmou.

O humor é importante inclusive para as relações amorosas. "Uma pitada de bom humor é importante nos relacionamentos, mas quando ele é do tipo infantil, muitas vezes leva ao término da relação".

VIDA

Viver bem humorado torna a vida mais leve, conforme Margarete. Essa opinião é compartilhada pela população. Pessoas entrevistadas nessa semana disseram que o bom humor é importante para superar o estresse da vida moderna.

"Sem humor não existe vida. A vida precisa de humor é preciso dar risada das coisas porque está tudo tão estressante, há tantos problemas que o humor contribui para superação", disse a empresária Hamilka Regiane da Silva, 35.

Segundo ela, há um entregador que quando chega em sua loja, consegue contagiar todos. "Ele está sempre de bom humor e isso nos alegra, conseguimos ultrapassar situações de estresse".

Hamilka acha que o Salão de Humor é um privilégio para Piracicaba. "Vou todos os anos é muito bom", comentou.

Na opinião de Mayara Josef, 20, o humor é importante para todas as pessoas. "No trabalho é fundamental, porque se estamos tristes ou cabisbaixos, alguém conta uma piada, faz uma brincadeira, a tristeza é deixada de lado e o dia fica melhor".

Outro motivo, é que ela é auxiliar administrativa e trabalha com o público. "Ter sempre o sorriso no rosto ajuda no atendimento dos clientes".

O técnico de segurança do trabalho, Wanderley Costa Júnior, 20, disse que no dia a dia é preciso encontrar o equilíbrio entre ser sério e utilizar a brincadeira nos momentos certos. "Sempre estou de bom humor", disse.

Para ele e Mayara, Piracicaba, além de ter o salão, tem vários lugares onde podem encontrar os amigos para passarem bons momentos, o que também contribui para manter o alto astral.

Um bom emprego e qualidade de vida são fundamentais para manter o bom humor, conforme a assistente administrativa, Débora Lazzarini, 38 e a analista de crédito Mariana Corrêa, 26.

"Ter moradia, transporte, alimentação e lazer é o que todo cidadão merece e o que também contribui para ter felicidade", disseram.

No entanto, para Débora, o transporte coletivo tem tirado seu humor ultimamente. "Reclamo quando o motorista não para no ponto, quando o ônibus atrasa, inclusive registro as queixas na ouvidoria da Prefeitura".

Já Mariana, contou que as filas das agências bancárias, a demora no atendimento a deixam mau humorada.

AMBIENTE

Estar de bom humor torna o ambiente mais agradável e favorece todos os acontecimentos ao redor da pessoa feliz. Essa é a opinião do aposentado Luiz Antônio Caitano, 66.

"Para demonstrar bom humor não precisa ficar contando piadas, ele pode ser demonstrado pela gentileza, pelo sorriso, pela ajuda ao outro, de qualquer tipo. São ações que também favorecem o bom humor", comentou.

Ele afirmou que tem andado de bem com o humor. "Graças a Deus aposentei recentemente, tenho um neto de dois anos e outro de 90 dias. São coisas que renovam nossa vida".

Para Caitano, os parque da cidade, as áreas verdes, como o da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) onde faz caminhada e encontra com amigos, como também na Rua do Porto, com o rio são coisas que contribuem para o alto astral do piracicabano.

"Já o trânsito está começando a causar mau humor nas pessoas. Há estímulo para comprar carros, mas a cidade deveria ter um sistema de transporte mais eficiente. Ainda bem que moro perto do Centro e consigo fazer tudo a pé. Ando sem estresse e a caminhada ainda favorece a minha saúde", afirmou.

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Adriana Ferezim