Publicado 09 de Agosto de 2013 - 16h01

Trevo das rodovias Anhanguera e D. Pedro I, na RMC: importantes corredores de escoamento de mercadorias do Interior paulista e para outros estados do País

Cedoc/RAC

Trevo das rodovias Anhanguera e D. Pedro I, na RMC: importantes corredores de escoamento de mercadorias do Interior paulista e para outros estados do País

Basta entrar em um site de empregos na internet para constatar que o tecnólogo em logística está no topo da lista de profissionais mais procurados na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A carência de perfis qualificados, com o curso superior específico na área, é um dos principais gargalos de empresas que lidam com transporte e armazenamento de produtos.

Foto: Leandro Ferreira/AAN

O estudante Diogo Turchetti e o coordenador do curso na Faculdade Anhanguera, José Vieira de Carvalho

O estudante Diogo Turchetti e o coordenador do curso na Faculdade Anhanguera, José Vieira de Carvalho

O fato de a região ser cortada pelas principais estradas do País e abrigar o Aeroporto Internacional de Viracopos é um chamariz para as principais companhias do setor. Mas poucos profissionais têm o conhecimento para gerenciar pessoas de forma que o processo funcione da melhor maneira ao longo de toda a cadeia de suprimentos.

O mesmo quadro é encontrado nas principais regiões metropolitanas do País e o especialista em logística foi indicado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) como uma das profissões que vão estar em alta até 2020. Apesar de o salário inicial médio estar abaixo dos engenheiros, cerca de R$ 2,5 mil, um gerente de logística de uma grande empresa ganha aproximadamente R$ 10 mil, segundo especialistas.

A remuneração atrai técnicos que já trabalham na área, mas em divisões operacionais, para o curso superior. Por isso, muitos alunos de logística são profissionais acima dos 30 anos, buscando um salto na carreira.

O tecnólogo em logística busca, antes de qualquer coisa, aprimorar o desempenho organizacional de uma empresa. É ele que avalia, projeta e implementa sistemas de transporte, armazenamento, compra e distribuição de um negócio — tudo de forma econômica, rápida e segura. O especialista pode atuar na controladoria, coordenação, expedição e almoxarifado, entre outros.

O coordenador do curso tecnólogo em logística na Faculdade Anhanguera de Campinas, José Vieira de Carvalho, afirmou que hoje o profissional formado pode atuar até no departamento de aquisição da matéria-prima e setor de atendimento e satisfação do cliente. “A logística não é mais só transporte. Ela envolve toda a cadeia de suprimentos”, explicou.

Carvalho disse que os estudantes são capacitados para gerir pessoas e trabalhar em um ambiente organizacional. É necessário que o profissional tenha conhecimento de tudo o que ocorre na empresa. “É fundamental que ele seja flexível e tenha interesse em saber o que se faz em outras áreas da companhia”, afirmou. O tecnólogo também é o canal de comunicação com os clientes e ainda opera sistemas eletrônicos.

O curso, no entanto, se difere pela duração: são apenas dois anos para o aluno sair com o diploma de Ensino Superior. Com disciplinas específicas, o coordenador explicou que o período é suficiente para formar o profissional que as empresas mais procuram. Entre as matérias da grade curricular estão processos gerenciais, intermodais de transporte, logística reversa e responsabilidade social. “Hoje, a ecologia faz parte do dia a dia do profissional de logística. Todos os processos devem estar de acordo com as leis ambientais e eles devem planejar tudo visando minimizar danos à natureza.”

Outra questão que deve estar na lista de prioridades do tecnólogo é a segurança, de acordo com Carvalho. O aumento dos índices de roubo de carga, principalmente na RMC, obriga os profissionais a pensar em estratégias e a utilizar tecnologias cada vez mais avançadas contra a criminalidade. “É um profissional de muita responsabilidade. Mas que está sendo bem remunerado. Um gerente de logística chega a ganhar até R$ 12 mil”, afirmou o coordenador.

Cargo exige visão ampla e estratégica 

O estudante de logística de Campinas Diogo Ricardo Turchetti, de 19 anos, já havia feito o técnico na área antes de ingressar no curso superior. Para ele, o tecnólogo enxerga a empresa de uma maneira mais estratégica. “Ele compartilha informações de todos os setores de uma empresa e está presente em todos os processos.”

Turchetti disse que pretende trabalhar na região depois de se formar. “Vou receber o diploma no final do ano, mas já comecei a procurar emprego. O que não falta em Campinas é vaga em logística e vou começar em breve a participar de entrevistas.”

O currículo do curso mescla disciplinas de ciências exatas, como estatística e física, e sociais aplicadas, como administração e marketing. Além disso, estuda-se matérias bem específicas da área, como legislação aduaneira, comércio exterior, cadeia de suprimentos, armazenamento e manuseio de materiais, distribuição logística, formação de preço e terceirização de serviços. Também é importante conhecer cada um dos sistemas de transporte.

Curso superior abre portas em mercado promissor

Todo mês há notícias de investimentos na ampliação de intermodais, além de construção de centros de logística na RMC. Além da expansão do Aeroporto Internacional de Viracopos, que deve ter a primeira fase concluída em 2014, o governo do Estado anunciou a privatização do aeroporto Campo dos Amarais, criando mais um canal de transporte de produtos para empresas. Apenas Sumaré irá receber cerca de R$ 1 bilhão em recursos privados para a construção de centros de distribuição de produtos até 2015, que devem gerar pelo menos 13 mil empregos nos próximos três anos.

De olho na crescente demanda, Cícero de Oliveira Vasconcelos, de 40 anos, fez o curso de tecnólogo em logística ao se mudar para Valinhos. Contou também o fato de Vasconcelos ter trabalhado por 15 anos em empresas de transportes. “Era funcionário de uma transportadora na Capital. Quando vim para a região, comecei a fazer o curso. Percebi que poderia ganhar o dobro com o diploma. O curso é curto, não é cansativo”, explicou.

Para Vasconcelos, planejamento é a palavra-chave para o profissional da área. Ele explicou que é preciso colocar no papel custos, equipamentos e pessoal para gerir a cadeia de suprimentos de uma empresa. “Somos um gerente. A verdade é que resolvemos problemas o dia inteiro. O planejamento ajuda a minimizar as intercorrências dos processos.” Ainda segundo o tecnólogo, falta gente especializada na área. Nas entrevistas de emprego para os melhores cargos, muitos são recusados por não terem o curso superior. “Não basta somente ter experiência em logística. Tem que saber coordenar, fazer cálculos. Por isso, quem se encaixa em boas vagas cresce muito rápido. Em dois anos, dá para ganhar até R$ 5 mil.”