Publicado 22 de Agosto de 2013 - 23h05

Por Ana Cristina Andrade

Policiais civis fizeram protesto pelas ruas e avenidas de Piracicaba

Antonio Trivelin/AAN

Policiais civis fizeram protesto pelas ruas e avenidas de Piracicaba

"Há 20 anos a Polícia Civil espera reconhecimento. Está sucateada, envelhecida, falida, e nem sequer direito à aposentadoria o Governo nos dá. Os crimes graves, que ocorriam só na capital, migraram para o interior de uma forma assustadora. A responsabilidade pela falência da segurança pública não pode ser creditada na Polícia Civil. É culpa do governo." A afirmação é de Marilda Pansonato Pinheiro, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) durante a passeata realizada nesta quinta-feira (22) em Piracicaba, e que contou com mais de 300 policiais civis de Piracicaba e do Estado. O movimento teve como propósito protestar e conscientizar a população sobre as precárias condições de trabalho e o sucateamento da Polícia Civil, além da falta de investimento do governo paulista, omissão que atinge tanto a infraestrutura quanto a qualificação e a valorização dos policiais civis.

Delegados, investigadores e escrivães de todas as delegacias de Piracicaba, das outras cinco Seccionais do Deinter-9, de Lins, São José dos Campos, Fernandópolis, Campinas, São Paulo, Americana, Rio Claro, Limeira, Charqueada, Rio das Pedras, e demais cidades da macrorregião foram para as ruas empunhando cartazes e protestando a falta de estrutura. Das 10h às 16h não houve atendimento nas unidades.

Acompanhados de carro de som, munidos de faixas e apitos, eles saíram da frente do plantão policial, à rua do Vergueiro, subiram a Moraes Barros, entraram na rua Boa Morte, depois tomaram as ruas Rangel Pestana, Governador Pedro de Toledo, São José, Prudente de Moraes, mais um trecho da São José, entraram pela rua Alferes José Caetano e chegaram à Câmara de Vereadores, onde foram recebidos no salão nobre pelo presidente João Manoel dos Santos e alguns vereadores.

O manifesto recebeu apoio do Sindicato dos Bancários, que enviou funcionários para a passeata. Estrutura

Emerson Marinaldo Gardenal, que é delegado sindical, disse que em 26 anos no funcionalismo público — há 12 anos como delegado — nunca viu uma situação de falta de estrutura na Polícia Civil como nos dias de hoje, principalmente no que diz respeito à falta de recursos humanos.

"Estamos patinando, cada vez mais afundando, quase que no fundo do abismo, e tentando resgatar a soberania da instituição", destacou. "O problema é justamente a falta de investimento por parte do governo de Estado", acrescentou. Ele é delegado plantonista.

Precariedade

O delegado Fernando Marcos Dultra, que representa a associação em Piracicaba, disse que o foco do manifesto não foi só o salário e sim a falta de estrutura para melhores condições de trabalho. "Não queremos fazer investigação para meia dúzia apenas. A DIG, que chegou a ter sete delegados, hoje tem dois. E não trabalham só para a DIG (Investigações Gerais). A Dise (de Entorpecentes) está junto", declarou.

Dultra também falou sobre a diferença em se investigar um crime quando a vítima tem influência e quando a pessoa é mais humilde. "Quando se é influente e tem mais poder aquisitivo há uma cobrança porque a mídia fica em cima. Se é um coitado não tem o mesmo atendimento", enfatizou.

"Falta gente para atender a todos, porque gostaríamos de dar o mesmo atendimento para qualquer pessoa com igualdade", revelou ele, que é um dos dois delegados que responde pela Delegacia de Investigações Gerais e Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes.

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Ana Cristina Andrade