Publicado 13 de Agosto de 2013 - 22h55

Mulher e as crianças brincam sobre as pedras do leito do Rio Piracicaba

Antonio Trivelin/AAN

Mulher e as crianças brincam sobre as pedras do leito do Rio Piracicaba

A vazão do Rio Piracicaba, no trecho que corta a cidade, era de 36,5 metros cúbicos por segundo, às 17h desta terça-feira (13). O índice é 45,5% menor se comparado ao registrado no mesmo dia e horário do ano passado. A situação começa a preocupar. Por isso, nesta quarta (14), representantes do Instituto Beira Rio se reúnem com o presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, João Manoel dos Santos (PTB). Durante o encontro, será elaborado um ofício destinado à Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico para solicitar maior liberação de água do Sistema Cantareira – atualmente são disponibilizados cinco metros cúbicos de água por segundo.

Piloto profissional e presidente do Instituto, Luís Fernando Magossi, revela que na extensão da Rua do Porto, no último final de semana, navegou quase tocando o chão. Ele realiza passeios turísticos aos sábados, domingos e feriados, e conta que a vazão diminuiu de forma rápida. “Sinto que está mais baixo do que nos últimos anos. Navego outras extensões do rio e o problema está entre a Rua do Porto e Ártemis”, revela. “Com a baixa vazão, já é possível observar a poluição. Detergente, soda concentrados batem nas pedras e formam as espumas”, acrescenta Magossi.

A água do Rio Piracicaba é de responsabilidade de dois grupos: um é técnico, responsável pela vazão, formado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e Semasa (Serviço de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura); o segundo grupo é composto pelos Comitês PCJ (Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rio Piracicaba e Jaguari), Câmara Técnica da Sociedade Civil, empresas e usuários que cuidam da quantidade de água que será liberada.

A água para a Bacia do Rio Piracicaba é liberada pelo Sistema Cantareira, na Serra da Mantiqueira, que possui quatro barragens e retém as nascentes do Rio Piracicaba. O sistema faz uma reversão da água da bacia do rio para a capital do Estado.

“O que é liberado na parte de cima, pelo Sistema, reflete na região de Piracicaba. E, de acordo com quem faz uso do rio na cidade, a água que chega não é suficiente”, explica o membro dos Comitês PCJ, Jonas Santa Rosa. “Atualmente, é liberado cinco metros cúbicos de água por segundo. O ofício que será elaborado durante a reunião na Câmara de Vereadores vai solicitar disponibilização maior. É complexo avaliar se a quantidade é suficiente ou não. Em época de chuva, por exemplo, é considerado bom. Já na estiagem, que ocorre entre maio e início de setembro, os reflexos são maiores”, acrescenta.

A boa notícia é que há previsão de chuva para Piracicaba na tarde e noite desta quarta, segundo informações do Climatempo. “Espero não precisar parar de fazer os passeios pela região. Está difícil navegar, mas quero continuar. Este inverno foi atípico e choveu bastante, mas a situação do rio ficou crítica em poucos dias”, afirma o piloto Luís Magossi.

A vazão mais baixa registrada na história do Rio Piracicaba foi de 22 metros cúbicos por segundo, em maio de 1969.