Publicado 11 de Agosto de 2013 - 19h26

Por Ana Cristina Andrade

Cães abandonados sofrem com maus-tratos em Saltinho

Del Rodrigues/Gazeta de Piracicaba

Cães abandonados sofrem com maus-tratos em Saltinho

Todos os dias surge um novo cão abandonado na área central de Saltinho. Não seria nada demais se a cidade tivesse uma política pública e um local adequado para receber os animais. Enquanto isso não acontece, alguns moradores estão arcando com a recolha e as despesas - muitos são recolhidos em situação de maus-tratos.

No sábado pela manhã a Gazeta esteve na praça da Rua Sete de Setembro, a principal da cidade, onde dois cães estavam no local sendo cuidados pela professora Cristiane de Almeida, 38, e por Leandra Marchi, 33. As duas disseram que se compadecem com a quantidade de cães que são abandonados ou maltratados na cidade e ainda compram brigas quando descobrem quem cometeu o crime.

Elas se dizem desamparadas, tanto pelo poder público quanto pela polícia. “Muita gente liga denunciando situações de cães maltratados - até com fogo ateado no corpo - e não sabemos como resolver”. Cristiane diz que tem dívida de R$ 3 mil com clínicas veterinárias. Leandra revela que as suas chegam a R$ 4 mil. No momento, ela cuida de um pitbull que tem câncer e precisa doá-lo e não sabe como fazer. “Ele está nas últimas sessões de quimioterapia e não pode ficar exposto ao sol. Tem de ir para casa de alguém que o mantenha na sombra”, explica.

De acordo com Cristiane o prefeito da cidade, Claudemir Francisco Torina (Grilo), foi procurado e alegou que no momento não tem condições de ajudar, muito menos de abrir um canil. “Ele nos autorizou colocar água e ração para os cães numa área livre, ao lado da praça, mas precisamos de um lugar adequado para eles”, reclamou.

“Quando estão soltos, se vão na rua muitos motoristas jogam o carro em cima. É difícil. No caso dos maus-tratos, se a gente chama a atenção pode acabar sendo ameaçada. Sempre pedimos ajuda em Piracicaba, mas a resposta é que somos de outro município e não há como auxiliar. É complicado”, declarou a professora.

Leandra diz que já tem 12 cães e 20 gatos em sua casa, no Jardim Palmeiras II. “Outro dia estava caminhando com meu marido e ouvi choro de cães. Quando nos aproximamos de uma caçamba havia dois cães amarrados em cima dela e a cadela estava pendurada pela corda quase morrendo asfixiada. Isso é coisa para se fazer? Por isso que temos de ter alguém para defender essa causa”, destacou.

Os cães que estavam na praça são saudáveis e bem alimentados, além de extremamente dóceis. Um deles é da raça pastor alemão. Há também um cão labrador, muito bonito, que passou a manhã numa escola porque estava com febre. “Demos remédio e ele melhorou”, disse Cristiane. “Gostaríamos que alguém o adotasse. É um ótimo cão para quem tem chácara, por exemplo, porque ele não morde, mas late alto e chama a atenção se estiver algo errado acontecendo”, declarou.

Leandra disse que gasta, mensalmente, mais de R$ 300,00 com rações. “O que não posso é ver os animais jogados na rua, maltratados e fazer de conta que não vi. Em casa tenho cães queimados, esfaqueados e até com o rabo cortado. Outro dia enfiaram uma lança pelo portão do abrigo da minha casa e espetaram o pitbull que está com câncer. É o fim isso”.

DESDE PEQUENA

Rayssa Emanuelle Carneiro, 9, costuma ir todas as manhãs de sábado na praça brincar com os cães abandonados. “Acho que quem faz isso não tem coração”, avalia a menina.

ADOÇÕES

Se alguém quiser adotar algum dos cães que são cuidados pelas duas mulheres basta telefonar. Cristiane atende pelo (19) 9761-4964 e Leandra (19) 9625-3203.

Escrito por:

Ana Cristina Andrade