Publicado 10 de Agosto de 2013 - 14h53

Por Renê Moreira

O aparelho foi desenvolvido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP

Divulgação

O aparelho foi desenvolvido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP

Imagine você pelo celular ou computador podendo saber onde e quando haverá enchente. Seria o alívio antecipado de uma enorme dor de cabeça, principalmente, para quem vive nas grandes cidades. E para quem acha uma previsão dessa impossível, já pode mudar de ideia. Três equipamentos instalados em São Carlos estão sendo testados com esta tecnologia que deve ser exportada para vários outros municípios paulistas. O aparelho foi desenvolvido pelo professor Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP (Universidade de São Paulo), a partir de um projeto que ele conheceu na Inglaterra durante o curso de doutorado. No Brasil, o pesquisador conta que começou o trabalho no campus da Zona Leste da USP, em São Paulo. Mas na hora de colocá-lo em prática, ele optou pelo interior do estado.

Em São Carlos três aparelhos já estão em operação graças a convênios firmados com o município. O mais recente foi colocado agora e dispõe de uma nova funcionalidade em relação aos dois anteriores, pois também emite fotos que possibilitam observar em tempo real o que está ocorrendo no córrego e na rotatória por onde passa. Além disso, em algumas semanas terá sensores capazes de medir a poluição da água.

"A ideia é levar a tecnologia para outros municípios, pois sabemos que cidades como Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba, Iguape, Presidente Prudente e tantas outras sofrem com as enchentes", explica o criador da novidade, Jó Ueyama. Ele acredita que o equipamento estará disponível para ser usado, até mesmo em São Paulo e outras capitais, dentro de pouco tempo. "Fui convidado já duas vezes para exibir o protótipo em Santa Catarina e já há empresas interessadas em comercializá-lo", afirmou à RAC.

O equipamento e o software estão prontos para o uso, mas é preciso finalizar o processo de patente, que envolve a USP, para que venha a ser utilizado. Por enquanto, é possível prever apenas a ocorrência de alagamentos com uma antecedência máxima de 15 minutos. Mas, segundo o pesquisador Gustavo Pessin, que participa do projeto, a ideia é que, com a instalação de mais sensores, seja possível realizar previsões até 6 horas antes de uma enchente ocorrer, tempo suficiente para remover a população das áreas de risco.

Sistema

A novidade funciona com um sistema denominado e-NOE, que é composto por um sensor analógico com uma função específica: medir mudanças na pressão do rio. Ele detecta as enchentes, também nos córregos, por meio de uma rede de sensores sem fio que pode ser instalada em locais considerados críticos. Um software converte as informações recebidas em gráficos, que são disponibilizados a toda a população pela internet e podem ser facilmente monitorados pela Defesa Civil.

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Renê Moreira