Publicado 27 de Agosto de 2013 - 9h40

Por France Press

O governo sírio, acusado pela comunidade internacional de ter bombardeado com armas químicas uma área controlada por rebeldes, prometeu nesta terça-feira defender-se de um eventual ataque ocidental, que cogitado por alguns dirigentes da comunidade internacional. "Temos duas opções: rendição ou defesa com os meios que temos. A segunda alternativa é a melhor: nos defenderemos", declarou o ministro das Relações Exteriores do país, Walid Mualem.

"Atacar a Síria não é um assunto fácil. Dispomos de meios defensivos que surpreenderão os demais", disse Mualem, que reafirmou que a Rússia não abandonará o país.

"Posso garantir que a Rússia não abandonou a Síria. Nossas relações continuarão em todos os âmbitos e agradecemos a Rússia por seu apoio.

Ao mesmo tempo, Muallem afirmou que um ataque ocidental não afetaria a campanha militar de Damasco contra os rebeldes.

"Se acreditam que assim poderão impedir a vitória de nossas Forças Armadas, se enganam", afirmou em entrevista coletiva em Damasco.

Ele também desafiou a comunidade internacional a apresentar provas de um ataque químico.

"Escutamos os tambores da guerra ao redor de nós. Se querem executar um ataque contra a Síria, penso que o pretexto das armas químicas não é válido para nada. Eu os desafio a mostrar as provas", disse o ministro.

Segundo o governo de Bashar al-Assad, os especialistas da ONU que investigam um suposto ataque com armas químicas suspenderam as tarefas até quarta-feira, ante a falta de garantias dos rebeldes.

A ONU confirmou que adiou uma nova visita de seus especialistas em armas químicas em uma área próxima a Damasco por razões de segurança.

Depois do ataque de franco-atiradores na segunda-feira, a visita desta terça-feira "deve ser adiada por um dia para para melhorar a preparação e a segurança da equipe", assinalou o porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq.

A imprensa americana afirma que nos próximos dias fontes da inteligência dos Estados Unidos devem revelar informações que confirmariam a acusação de que Damasco usou armas químicas em 21 de agosto.

Segundo a oposição, o ataque em Moadamiyat al-Sham e Ghuta Oriental, zonas controladas pelos rebeldes ao oeste e leste de Damasco, deixou quase 1.300 mortos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou nesta terça-feira no Twitter ter convocado o Parlamento na quinta-feira com o objetivo de votar sobre uma resposta do Reino Unido aos ataques com armas químicas na Síria.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estuda a possibilidade de um ataque à Síria que deve ser breve e limitado, afirma a imprensa americana.

A opção militar preocupa a Rússia, que pediu prudência.

"As tentativas de usar o Conselho de Segurança (da ONU), de criar mais uma vez pretextos artificiais e sem fundamentos para uma intervenção militar na região causarão mais sofrimento na Síria e terão consequências catastróficas para os outros países do Oriente Médio e do norte da África", afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

O ministério russo reiterou ainda uma grande decepção com a decisão dos Estados Unidos de adiar uma reunião prevista com a Rússia em Haia sobre a crise na Síria.

O governo dos Estados Unidos tem poucas esperanças de obter a autorização do Conselho de Segurança da ONU em função da intransigente oposição da Rússia.

"Na Síria foram utilizadas armas químicas", disse na segunda-feira o secretario de Estado americano John Kerry, sem designar claramente quem usou o armamento.

"O presidente Obama pensa que os que recorrem às armas mais atrozes contra a população mais vulnerável devem prestar contas", disse Kerry.

Um eventual ataque não duraria mais de dois dias e evitaria um envolvimento maior dos Estados Unidos na guerra civil que a Síria vive desde março de 2011, destaca o jornal Washington Post, que cita fontes do governo que pediram anonimato.

Washington poderia ordenar um ataque com mísseis de cruzeiro a partir de frota posicionada no Mediterrâneo, afirma o jornal New York Times.

A intervenção seria pontual e não buscaria a derrubada do presidente Bashar al-Assad nem a mudança de curso da guerra civil na Síria, completa o NYT.

Na segunda-feira, os especialistas, que trabalham em "circunstâncias muito difíceis", visitaram dois hospitais e conversaram com "testemunhas, sobreviventes e médicos e também conseguiram recolher amostras", afirmou o secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon.

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