Publicado 25 de Agosto de 2013 - 20h19

Por France Press

Foram adiados os julgamentos dos três principais líderes da Irmandade Muçulmana, incluindo o guia supremo da confraria, Mohamed Badie, por "incitação ao assassinato" de manifestantes, e o do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, por "cumplicidade de assassinato" de manifestantes em 2011, previstos para este domingo.

O processo contra Badie e seus dois assessores, Khairat al-Chater e Rachad Bayoumi, que não estavam presentes por "motivos de segurança", segundo a polícia, foi adiado para 29 de outubro, com a intenção de que os acusados possam estar presentes.

Fontes ligadas à segurança egípcia explicaram à France Press que os acusados não foram levados ao tribunal neste domingo por medo de que o comboio em que seriam transportados fosse atacado por simpatizantes ou opositores da confraria.

Os três líderes da Irmandade, grupo político do qual faz parte o presidente deposto Mohamed Mursi, e outros três membros podem ser condenados à pena de morte por "incitação ao assassinato" e "homicídio" de oito manifestantes que estavam em frente à sede da confraria, no Cairo, no último 30 de junho.

Neste dia, milhões de pessoas foram às ruas pedir a renúncia do presidente islamita Mursi. Em 3 de julho, uma manifestação convocada pelo exército culminou com a queda do primeiro chefe de estado eleito de forma democratica no Egito.

"As acusações são infundadas, é um julgamento político", disse o advogado de um dos líderes islamitas antes da audiência.

Julgamento de Mubarak adiado

Pouco depois, um tribunal do Cairo adiou para 14 de setembro o julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak por "cumplicidade de assassinato" de manifestantes durante a rebelião popular de 2011 que o depôs.

O "rais" caído em desgraça, atualmente detido em um hospital militar do Cairo, é passível de pena de morte. Mubarak compareceu na sexta audiência de apelação sentado em uma maca, atrás das grades da cela reservada aos acusados, junto a outros nove réus, incluindo seus dois filhos.

No mesmo dia também foi adiado, a 29 de outubro, o julgamento dos chefes da Irmandade Muçulmana, entre eles o guia supremo, Mohamed Badie, por "incitar o assassinato" de manifestantes.

Os julgamentos acontecem em pleno caos político no Egito, onde as novas autoridades, dirigidas de fato pelo exército, reprimem com banho de sangue, há 10 dias, as manifestações organizadas pela Irmandade Muçulmana.

Cerca de mil pessoas foram assassinadas, sobretudo, islamitas, e os principais dirigentes da confraria foram presos, além de 2.000 partidários de Mursi. Uma centena de policiais e soldados morreram nos piores episódios de violência conhecidos no Egito em sua história recente.

Hosni Mubarak, de 85 anos, foi condenado em junho de 2012 em primeira instância à prisão perpétua por "cumplicidade" no assassinato de manifestantes durante a revolta de 2011. O ex-presidente apelou e a Corte de Cassação ordenou um novo julgamento.

10 dias de banho de sangue

Estes julgamentos contra a Irmandade Muçulmana ocorrem no momento em que a confraria islamita parece não estar em condições de mobilizar seus simpatizantes. Nos últimos dias, vários de seus principais ativistas foram mortos e seus dirigentes foram presos.

Na sexta-feira, milhões de pessoas foram convocadas contra o golpe de estado militar, mas o movimento reuniu apenas cerca de mil partidários de Mursi.

Antes da violenta repressão às manifestações, os simpatizantes de Mursi congregaram centenas de milhares de pessoas no Cairo e em outras grandes cidades.

Mas a maioria dos seguidores de Mursi têm medo de sair às ruas, onde soldados e policiais estão autorizados pelas autoridades a disparar contra manifestantes "hostis".

O país está em estado de sítio e as grandes cidades estão cheias de tanques e controles. O toque de recolher imposto no Cairo e mais 13 províncias foi diminuído em duas horas neste sábado, e está vigente das 21h às 6h, exceto na sexta-feira, quando vale a partir das 19h.

 

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