Publicado 12 de Agosto de 2013 - 11h34

Por France Press

Mohamed Mursi fala pela primeira vez depois de ser eleito no Egito

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Mohamed Mursi fala pela primeira vez depois de ser eleito no Egito

A justiça egípcia prorrogou nesta segunda-feira a prisão do presidente islamita deposto Mohamed Mursi, enquanto seus partidários seguem reforçando barricadas nas duas praças que ocupam há um mês no Cairo, à espera de uma ofensiva da polícia.

Mursi, deposto por um golpe militar no dia 2 de julho, foi detido oficialmente no dia 26 de julho acusado de suposta colaboração com o Hamas e nesta segunda-feira as autoridades judiciais anunciaram que prorrogariam sua prisão por outros 15 dias.

A decisão judicial pode encorajar seus partidários, que seguem mobilizados em todo o país e que pedem o retorno ao poder do primeiro presidente eleito democraticamente da história egípcia.

A comunidade internacional, que tentou em várias ocasiões mediar o conflito, teme um massacre depois que a polícia anunciou uma operação iminente, embora gradual, para desalojá-los.

Funcionários de alto escalão das forças de segurança indicaram à AFP que só retirarão os manifestantes após "vários pedidos" feitos durante "dois ou três dias".

Em um mês, mais de 250 pessoas morreram - principalmente partidários de Mursi - em confrontos com as forças de segurança ou com os opositores ao presidente deposto.

Ignorando as advertências do novo governo, centenas de manifestantes protestaram no centro do Cairo, carregando bandeiras egípcias e retratos de Mursi.

Na noite de domingo, ao término da trégua estabelecida até o fim das celebrações do Ramadã, a polícia anunciou uma operação iminente, mas gradual.

As autoridades tentam convencer alguns manifestantes - entrincheirados com mulheres e crianças - a sair pacificamente das praças antes do início do ataque contra os mais determinados.

O governo interino deve enfrentar ao mesmo tempo a pressão popular, que exige a dispersão rápida dos partidários de Mursi, e os apelos internacionais à moderação, explicou à AFP H.A. Hellyer, pesquisador do Brookings Institute.

Segundo ele, as autoridades vão agir com cuidado, já que temem uma condenação internacional.

Na praça Rabaa al-Adawiya, bastião dos partidários de Mursi, dezenas de homens com capacetes e armados com paus ergueram barricadas de tijolos e sacos de areia que bloqueiam os principais acessos à praça.

Em um palco, seus líderes se revezavam incansavelmente para exigir o retorno de Mursi e o fim do "golpe de Estado".

Durante a noite na praça Rabaa, Farid Islamil, um líder da Irmandade Muçulmana, convocou a ocupação de "todas as praças do país" nesta segunda-feira e pediu que os manifestantes "enviem uma mensagem aos líderes do golpe de Estado: o povo egípcio continuará com sua revolução".

Depois, os manifestantes vaiaram o general Abdel Fatah al-Sissi, chefe das Forças Armadas que anunciou a destituição e a prisão do presidente islamita.

A Irmandade Muçulmana exige a libertação de Mursi e dos principais líderes da confraria detidos desde 3 de julho, assim como a restauração do presidente e da Constituição, suspensa pelos militares.

Os opositores a Mursi o acusam de ter acumulado todo o poder em favor de seu movimento, a Irmandade Muçulmana, e de ter terminado de arruinar uma economia que já tinha muitas dificuldades.

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