Publicado 12 de Agosto de 2013 - 10h51

Por France Press

Os partidários do presidente islamita deposto Mohamed Mursi reforçavam suas barricadas nas duas praças que ocupam há um mês no Cairo, depois que a polícia ameaçou dispersá-los a qualquer momento.

A comunidade internacional, que tentou em várias ocasiões mediar o conflito, teme um massacre. Em um mês, mais de 250 pessoas morreram - principalmente partidários de Mursi - em confrontos com as forças de segurança ou com os opositores ao presidente deposto.

Ignorando as advertências do novo governo, centenas de manifestantes marcharam no centro do Cairo, carregando bandeiras egípcias e retratos do primeiro presidente do país eleito democraticamente.

Na noite de domingo, ao término da trégua estabelecida até o fim das celebrações do Ramadã, a polícia anunciou uma operação iminente, mas gradual, para esvaziar as praças, que pode durar dois ou três dias.

As autoridades tentam convencer alguns manifestantes - entrincheirados com mulheres e crianças - a sair pacificamente das praças antes do início do ataque contra os mais determinados.

O governo interino deve simultaneamente enfrentar a pressão popular que exige a dispersão rápida dos partidários de Mursi e os chamados internacionais à moderação, explicou à AFP H.A. Hellyer, pesquisador do Brookings Institute.

Segundo ele, as autoridades vão agir com cuidado, já que temem uma condenação internacional.

Na praça Rabaa al-Adawiya, bastião dos manifestantes pró-Mursi, dezenas de homens com capacetes e armados com paus ergueram barricadas de tijolos e sacos de areia que bloqueiam os principais acessos à praça.

Em um palco, seus líderes se revezavam incansavelmente para exigir o retorno de Mursi e o fim do "golpe de Estado".

Durante a noite na praça Rabaa, Farid Islamil, um líder da Irmandade Muçulmana, convocou a ocupação de "todas as praças do país" nesta segunda-feira e pediu que os manifestantes "enviem uma mensagem aos líderes do golpe de Estado: o povo egípcio continuará com sua revolução".

A Irmandade Muçulmana exige a libertação de Mursi e dos principais líderes da confraria detidos desde 3 de julho, assim como a restauração do presidente e da Constituição suspensa pelos militares.

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