Publicado 11 de Agosto de 2013 - 11h38

Pelo menos 61 pessoas morreram e cerca de 300 ficaram feridas em uma série de atentados este sábado (10) no Iraque, durante as celebrações pelo fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, um dos mais sangrentos dos últimos anos, informaram autoridades médicas e de segurança. No total, dezesseis carros-bomba e uma série de ataques a tiros e outros com explosivos ainda deixaram quase 300 feridos em todo o país, segundo fontes de segurança e médicas, enquanto os iraquianos comemoravam o feriado do Eid Al-Fitr, que encerra o mês de jejum do Ramadã.

Em Bagdá, os carros-bomba foram detonados por grupos suspeitos de vinculação com a rede Al-Qaeda em oito diferentes bairros da capital, tanto sunitas quanto xiitas, e atingiram três mercados, dois cafés e um restaurante, matando 37 pessoas. Outras duas pessoas já tinham falecido na explosão de uma bomba no bairro de maioria sunita Jihad, no oeste da cidade.

Também neste sábado, um terrorista suicida detonou os explosivos que levava no carro perto de um posto da polícia em Tuz Khumartu, ao norte de Bagdá, matando nove pessoas, entre elas três policiais. Um outro carro-bomba em Kirkuk, também ao norte da capital, matou um engenheiro.

Outros dois carros-bomba explodiram na cidade de Nassiriyah (sul), matando quatro pessoas, e a detonação de explosivos em um outro carro matou outras cinco na cidade sagrada de Kerbala.

Outras três pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas em ataques separados nas províncias de Babil e Nínive.

Em um comunicado emitido na noite de sábado, o Departamento de Estado americano condenou a série de atentados e qualificou os autores dos ataques mortais no Iraque de "inimigos do Islã".

Segundo o comunicado, os ataques foram "covardes (...) dirigidos contra famílias que celebravam o Eid al Fitr".

O mês do Ramadã foi particularmente sangrento no país com mais de 800 mortos, segundo um balanço estabelecido pela AFP.

De acordo com as Nações Unidas, mais de mil pessoas morreram em julho vítimas da violência, no balanço mensal mais elevado dos últimos cinco anos no Iraque.

Segundo especialistas, os atos de violência podem estar aumentando devido à paralisia política do governo, enquanto o país se recupera com dificuldade de anos de guerra em que morreram milhares de pessoas.

Durante o mês sagrado do Ramadã a violência costuma aumentar, pois os jihadistas consideram que seus ataques são mais justificados, afirmam os especialistas.

Mas este Ramadã foi mais violento que o passado.

As autoridades governamentais atribuem este aumento dos ataques ao conflito que assola a vizinha Síria e costumam acusar países estrangeiros de fomentar a violência.

Mas a crise política que opõem a maioria xiita e os sunitas, que dominavam sob o comando de Saddam Hussein, também serve aos interesses dos extremistas.

Os sunitas, que acusam as autoridades de querer marginalizá-los politicamente, realizam manifestações desde o fim do ano passado, acusando o governo de realizar detenções arbitrárias.

O governo fez algumas concessões, liberando milhares de presos e aumentando o salário dos combatentes sunitas que combatem a rede Al-Qaeda.

Mas os atentados em larga escala voltaram a ocorrer em abril, depois que as autoridades mataram dezenas de manifestantes sunitas em Hawija.

Além disso, o governo se mostra incapaz de assegurar os serviços básicos, em particular a estabilidade do abastecimento de energia, e poucas leis foram adotadas desde as eleições legislativas de 2010.

O governo iraquiano é, teoricamente, um governo de coalizão no qual todos os grandes partidos estão representados, mas seus dirigentes passam a maior parte do tempo criticando-se e tentando negociar ministérios.

O premier Nuri al Maliki (xiita) é acusado com frequência de querer monopolizar o poder e acusa seus opositores de ser financiados pelo exterior.

Muito poucas decisões políticas foram tomadas e espera-se que nada mude antes das eleições previstas para a primavera no hemisfério norte.