Publicado 24 de Agosto de 2013 - 5h00

Por Correio Popular

Um dos episódios mais marcantes da história política brasileira recente está caminhando para completar quase dez anos sem um desfecho que venha ao encontro da expectativa da sociedade. O caso do mensalão envolvendo o governo petista e a compra de apoio de parlamentares com verbas públicas não pode ser desqualificado, porque expôs de forma clara um esquema que caracteriza o meio político com troca de favores, corrupção, negociatas e desvio de dinheiro.

O episódio foi emblemático por colocar em xeque a própria autoridade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por estratégia de marketing e por uso de seu carisma, conseguiu safar-se das acusações jogando seus companheiros no fogo da responsabilidade. Não foram poupados seus assessores mais diretos, como Delúbio Soares, José Dirceu, José Genoíno e Marcos Valério, articulador da coleta e partição dos favores financeiros.

Depois de longo processo, finalmente o caso volta à agenda do Supremo Tribunal Federal (STF) para a confirmação das sentenças dadas aos proeminentes políticos ou para atentar aos recursos que visam a reduzir o castigo imputado aos que foram flagrados com a mão na botija, não em manipulação de recursos não contabilizados ou caixa dois de campanhas, mas desvio de dinheiro público para compra imoral de apoio no Congresso.

O que se vê, e se teme, é uma inversão das expectativas. Não são poucas as manobras que contornam os prazos que seriam razoáveis, adiando por anos uma rigorosa e ansiada decisão que pudesse ser usada como uma antevisão de uma possível mudança nos hábitos nocivos da política nacional. O Judiciário mostra-se afeito às criticadas chicanas processuais, a legislação é um queijo suíço de escapes recursais e a sociedade ainda se depara com a fogueira de vaidades que se transformou o STF.

O embate entre o presidente Joaquim Barbosa com o ministro Ricardo Lewandowski na semana passada foi desnecessário e colocou em plenário um clima de intolerância entre os juízes do Supremo, mostrando o quanto a casa pode ser contaminada pelas vaidades e interesses, deixando de lado os propósitos reais da sociedade, que se resume à aplicação rápida, equilibrada e decisiva da Justiça. O respeito à divergência é princípio basilar e o que mais se espera de quem tem o encargo de definir os rumos da Nação dentro dos princípios legais e institucionais. Se algo abala a credibilidade e seriedade do poder, o melhor é seguir à risca o conselho do ministro Barbosa: “vamos trabalhar”.

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