Publicado 13 de Agosto de 2013 - 5h00

Por Correio Popular

O crescimento das cidades impõe riscos que devem ser superados com um correto planejamento e cuidados para se evitarem os abusos que normalmente são cometidos por famílias que aceitam situações de risco para se acomodarem, sem se importar com as consequências. É o caso de moradores no entorno das linhas de trem que cortam as cidades, que constroem suas casas geralmente precárias junto à rota das composições, sujeitando-se aos terríveis incômodos do barulho e constante ameaça à integridade.

Somente neste mês de agosto foram registrados quatro casos de vítimas fatais ou de amputações por atropelamentos em linhas férreas da região. Os casos se sucedem com uma frequência inaceitável, demonstrando a falta de consciência de uma parte da população que não se convence do alto risco que corre ao atravessar os trilhos, além da falta de condições melhores de segurança (Correio Popular, 11/8, A12). São mortes e ferimentos graves causados por descuido, distração, imprudência e até por moto próprio, provocando cenas de horror e aumentando a preocupação, especialmente com as crianças que moram nas imediações das linhas.

Se a situação é no mais das vezes provocada pela falta de consciência da população, há ainda a responsabilidade atribuída à Administração pública e do sistema ferroviário pela omissão no caso de construções irregulares de barracos junto às linhas de trem, a expansão de bairros em áreas onde as composições fazem rota sem as devidas medidas de segurança, falta de passarelas e barreiras. Nem mesmo as tímidas campanhas de alerta para o perigo têm conseguido demover as pessoas da comodidade de encurtar caminhos, muito menos impedir que crianças e adolescentes façam das caronas nos vagões uma diversão absurda e fatal.

É, em verdade, uma situação complexa e de difícil abordagem, pela dificuldade óbvia de fiscalizar cada trecho. Ainda assim, há espaços críticos que merecem atenção e investimentos, além de uma estrutura compatível para o deslocamento de pesadas composições que carregam em si grande dificuldade de circulação em áreas povoadas. Se o planejamento das cidades não conseguiu isolar em tempo os inconvenientes das linhas ferroviárias, que geram pontos de risco até dentro da área urbana, é hora então de se partir para providências atrasadas porém imprescindíveis para garantir um ponto final numa situação que tende a alimentar uma estatística inaceitável de vítimas fatais e mutilados.

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