Publicado 11 de Agosto de 2013 - 5h00

Todas as formas de manifestação devem passar obrigatoriamente pela objetividade e foco das reivindicações, autenticando o movimento dos envolvidos e dando peso aos pedidos que devem ser justos na medida do direito natural e da progressão de classe ou individual. Sair às ruas para fazer valer a voz é uma alternativa válida e salutar, desde que não envolva ou afete outros indivíduos ou a rotina das cidades.

A greve deflagrada por parte dos funcionários do sistema de transporte coletivo de Campinas é uma demonstração do quanto pode ser danosa a mobilização de uma categoria que desfaz do direito natural do restante da população. Surpreendendo a todos com uma paralisação nas linhas de ônibus e interditando importantes artérias viárias, os grevistas trouxeram sérios aborrecimentos e problemas para a cidade e sua população. Pessoas que não têm qualquer relação com o problema dos trabalhadores foram prejudicadas, perderam dia de serviço, obrigaram-se a longas e insanas caminhadas para voltar para casa, além de despender enorme tempo para uma simples locomoção.

O que se sobressai no movimento paredista é a absoluta falta de respeito com a cidade e seu povo, afetado por uma causa específica de uma classe de trabalhadores. Os prejuízos se somam a tantos problemas que Campinas já tem e luta para se libertar, que é absolutamente inoportuno e inconveniente um movimento que tolha o direito de locomoção da população, em função de uma reivindicação que, por mais justa que possa ser, perde legitimidade por envolver partes que não merecem os contratempos impostos de forma arbitrária. Foram constrangedores os momentos registrados de pessoas indo trabalhar ou voltando para suas casas a pé, em sacrífício inútil, desnecessário e que em nada contribui para atingir os objetivos e os direitos eventuais dos manifestantes.

Os movimentos grevistas são, historicamente, instrumento de realizar justiça nas relações de trabalho e na preservação de direitos. São importante artifício legalmente reconhecido, desde que respeitada a circunscrição de seu alcance e a direção do movimento. Manifestar-se por direitos ou benefícios trabalhistas é uma relação entre empregado e patrão, com a intermediação da Justiça. Envolver toda a comunidade em uma circunstância grave como a paralisação dos transportes públicos é uma ação tempestiva e desrespeitosa. Se pretendiam os grevistas angariar apoio ou simpatia da população, entraram na contramão.