Publicado 09 de Agosto de 2013 - 5h00

A absurda invasão da Câmara Municipal de Campinas na noite de anteontem por um grupo que se dizia Frente Contra o Aumento da Passagem marcou de uma forma inaceitável o total desvirtuamento do que poderia ser a representação de um novo instante para a política brasileira, com o despertar e engajamento de jovens. Seguindo metódica e previsível estratégia, o grupo de militantes de partidos nanicos de esquerda, ou outros que se dizem punks ou anarquistas, depredou as dependências do plenário, quebrou móveis, pichou paredes, em atitude de total desrespeito à ordem ou à lei. O que poderia ser um bom começo de debate sobre questões essenciais para a cidade terminou em mera baderna, com os responsáveis merecendo a devida punição pelos crimes.

É inconcebível que alguém se imagine no direito de promover atos de vandalismo dentro da sede de um poder institucional legítimo, ainda que merecedor de críticas. Toda forma de manifestação é válida, desde que respeitados os limites da cidadania, do direito e da educação. Agir como vândalos baderneiros apenas desqualifica totalmente um grupo tutelado por partidos políticos que, em segundas intenções, manipulam o que poderia ser um movimento espontâneo original. A presença da ex-vereadora do Psol Marcela Moreira e o presidente da legenda em Campinas, Arley Medeiros, legitimando a baderna, é a essência da mediocridade dos argumentos e da visão radicalmente fascista de quem tenta impor sua vontade e opinião através de inaceitáveis atos de violência (Correio Popular, 8/8, A4).

Dizer que a juventude está cansada de esperar e por isso faz o que está fazendo é um argumento raso para tentar justificar o absurdo. Se as reivindicações não são atendidas, não será por esses meios de pressão que os objetivos serão atingidos, até porque esses jovens demonstram total despreparo para o entendimento e o diálogo, que é a essência da política e da democracia. Essa impaciência é típica de pensamentos totalitaristas ou de adolescentes rebeldes sem causa.

E se o ato de violência é ilegal, inoportuno e imperdoável, a condução da crise pelo presidente da Câmara, Campos Filho, também foi marcada pela imprudência. Sua indecisão diante de um ato de certa forma previsível levou à grave consequência. Houve clara falha de vigilância, pois apenas seis GMs faziam a guarda da Câmara no momento da invasão. Ainda que parte da Guarda estivesse em greve, inconcebível deixar o Legislativo desguarnecido, em dia de sessão, e sabidamente diante da iminência de um ato hostil e de tamanha gravidade.