Publicado 26 de Agosto de 2013 - 18h49

O IC realizou quatro perícias, duas no ônibus e duas no local do acidente

Cedoc/RAC

O IC realizou quatro perícias, duas no ônibus e duas no local do acidente

O Instituto de Criminalística (IC) de Campinas entregou ontem o laudo final do acidente ocorrido no Viaduto Cury no dia 23 de julho, quando um ônibus caiu de uma altura de quatro metros e matou um passageiro.

O documento é um dos mais importantes para o inquérito que investiga as causas do acidente.

O delegado Renato Villar, do 1º Distrito Policial, que está à frente dos trabalhos e recebeu o relatório, pediu mais 30 dias para concluir as investigações, que podem apontar os possíveis culpados pela tragédia.

O IC realizou quatro perícias, duas no ônibus e duas no local do acidente. Os atestados preliminares não indicaram problemas mecânicos no veículo e mostraram que o circular tinha o sistema de freios e suspensão em ordem e os pneus estavam em bom estado. O motorista também não estaria correndo no momento da queda.

Durante os trabalhos, o veículo danificado foi comparado a um ônibus articulado de mesmo modelo em perfeitas condições, estacionado na garagem. A perita Ângela Sampaio de Mara e o fotógrafo do IC foram acompanhados por um mecânico da empresa proprietária do carro.

O tacógrafo do ônibus, aparelho que mede o tempo de uso, a distância percorrida e a velocidade que o veículo desenvolveu, foi periciado separadamente. Imagens da Central Integrada de Monitoramento de Campinas (Cimcamp) também foram analisadas para fazer o laudo final.

No dia do acidente, chovia em Campinas. No início deste mês, durante uma perícia complementar feita no veículo, a perita afirmou que é possível que o ônibus tenha perdido contato com o solo por causa de um lâmina d'água.

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o delegado que cuida das investigações, Renato Villar, pediu nesta segunda-feira (26) a prorrogação de prazo do Inquérito Policial.

Além do laudo do Instituto de Criminalística (IC), a polícia também irá receber o laudo do Instituto Médico Legal (IML) que serão os principais documentos para a elucidação do caso.

As investigações não descartam nenhuma hipótese sobre o que teria causado a queda: excesso de velocidade, falhas no sistema de segurança do ônibus e no pavimento e até mesmo problema no guard rail do viaduto.

Um relatório elaborado pela Secretaria de Serviços Públicos de Campinas e entregue para a Secretaria de Infraestrutura em janeiro de 2013 apontava que o guard rail do Cury não estava em condições de segurança para suportar o tráfego de 60 mil veículos por dia que o lugar recebe.

A obra, que tem 50 anos, foi projetada para receber 20 mil veículos/dia. O documento indicava ainda a necessidade de reformas na estrutura da construção, como corrigir ferragens aparentes nas vigas que dão sustentação ao viaduto.

O acidente

O acidente com o ônibus articulado matou o porteiro José Antônio da Silva, de 45 anos, e deixou outras 19 pessoas feridas.

A tragédia ocorreu no dia 23 de julho, por volta das 5h30, e causou pânico entre os 40 passageiros da linha 1.17 (DIC- Rótula), que fazia a primeira viagem do dia.

O coletivo caiu do viaduto sobre um carro estacionado na rua Cônego Cipião, bem em frente à entrada do Terminal Central, um dos locais mais movimentados do Centro da cidade. O porteiro foi arremessado para fora do veículo durante a queda e morreu.