Publicado 24 de Agosto de 2013 - 8h30

A Prefeitura de Campinas aposta na existência do traçado do leito do veículo leve sobre trilhos (VLT) como trunfo para conseguir R$ 1 bilhão do governo federal para ressuscitar o transporte sobre trilhos na cidade. Os cerca de 8,5 quilômetros de extensão do ramal do antigo sistema, aliados aos quase 50 quilômetros de malha ferroviária — maior parte desativada, porém preservada — serão os principais argumentos para convencer o governo federal a liberar os recursos para Campinas.

Um estudo com um projeto básico para o uso desses traçados está sendo finalizado pelo Executivo. A intenção é implantar uma nova rede sobre trilhos para ligar o Aeroporto Internacional de Viracopos ao Centro e também para alimentar os futuros corredores Ouro Verde e Campo Grande, por onde circularão os BRTs — ônibus rápido —, e o Corredor Noroeste.

A alternativa sobre trilhos é a principal aposta do governo municipal para desafogar o tráfego de veículos de passeio na cidade, que tem uma frota de cerca de 750 mil carros, caminhões, ônibus e motos que não para de crescer.

Apesar de ser a principal aposta para conseguir o dinheiro, a Prefeitura sabe que praticamente nada do que restou do antigo VLT, além do leito, poderá ser reutilizado no novo projeto. O que sobrou são as antigas estações com estruturas destruídas, postes de energia quebrados e sem fiação, lixo e mato alto que toma conta de praticamente toda a extensão do antigo VLT. Em 2009, os trilhos e os dormentes foram retirados pela América Latina Logística (ALL) e levados para Maceió (AL), onde foram instalados em um sistema semelhante. Já os fios foram furtados ao longo de todo esses anos de abandono. No ano passado o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) multou a ALL pelo desaparecimento dos 350 dormentes do local.

Além do abandono e esquecimento, o entorno de vários pontos do ramal férreo e até mesmo as estações foram tomados por moradias irregulares. Nessa semana, a reportagem flagrou duas moradias instaladas em prédios que eram usados como estações. No local, os moradores ergueram muros e até instalaram portas e postes com energia.

Mesmo com todos esses entraves, o Executivo acredita que a existência do ramal faz Campinas ficar à frente de outras cidades na busca do recurso. “Não vai ter necessidade de gastar recursos com desapropriações, que na maioria das vezes pesam muito no orçamento de obras desse tipo, porque o traçado já existe. Isso é um diferencial. Temos a experiência do VLT e o traçado disponível, mas com trechos com problemas. Além disso temos demanda suficiente, principalmente na região do Ouro Verde”, afirmou o secretário de Transportes, Sérgio Benassi.

O chefe da pasta disse que está cuidando pessoalmente do projeto e que nada vai ser reutilizado caso a cidade consiga o recurso. “Os trilhos antigos não serviriam. Vamos fazer um levantamento de tudo o que restou, mas a intenção é implantar tudo novo.”

No começo deste mês, o prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciou que entregou ao Ministério das Cidades um pré-projeto com os estudos iniciais de viabilidade técnica e econômica, propondo a implantação do sistema do VLT em Campinas. O objetivo é conseguir R$ 1 bilhão junto ao PAC da Mobilidade Urbana, que anunciou a destinação de cerca de R$ 50 bilhões para novos investimentos em obras no País.

Benassi afirmou que está em contato com o Ministério das Cidades para conseguir uma resposta positiva. “Vamos apresentar nossas necessidades e precisamos convencer. Temos condições e demanda para isso. O VLT é uma excelente solução, desde que seja integrado aos demais modais de transportes, que seja planejado, discutido com a cidade e com projetos técnicos viáveis. E é isso que faremos. O antigo não deu certo por problemas como a falta de integração e ele acabava em pontos onde não havia demanda.”