Publicado 10 de Agosto de 2013 - 9h00

Para garantir que a sessão de segunda-feira (12) seja realizada, profissionais passarão o final de semana trabalhando na Câmara de Campinas para consertar o plenário destruído por atos de vandalismo na última quarta-feira (7) durante protesto.

A equipe, formada principalmente por marceneiros e eletricistas foi contratada para acelerar a organização do espaço que foi ocupado por manifestantes que depredaram o local.

A presidência da Casa não conseguiu contabilizar até agora os prejuízos. Os números serão divulgados na semana que vem. A previsão é de que os consertos mais emergenciais sejam finalizados até segunda e a sessão, mantida.

A reunião não terá projetos polêmicos em votação, mas os protestos deverão suscitar o debate na tribuna. A invasão do plenário e a pressão pela assinatura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte — reivindicação dos manifestantes e da oposição — deverão ser motivo de embate.

A maior parte dos vereadores é contrária à atitude dos grupos mais radicais — punks e anarquistas — que lideraram as depredações.

O presidente da Casa, Campos Filho (DEM), pediu reforço da Guarda Municipal (GM) para segunda-feira com o intuito de impedir que um ato como o da semana passada se repita.

Durante a ocupação, houve bate-boca entre os vereadores, que chegaram a acusar o presidente de ter sido imprudente e não fornecer segurança suficiente aos parlamentares.

Campos Filho nega as acusações. No prédio da Câmara, havia apenas seis guardas, o que facilitou a invasão do plenário pelos manifestantes. Em greve da categoria, a falta de efetivo também contribuiu para que os planos dos ativistas desse certo. Somente mais tarde a Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada.

Apesar da medida de precaução, não há nenhum ato marcado pelos manifestantes para a próxima sessão. Segundo Filipe Monteiro, um dos líderes do movimento Frente Contra o Aumento da Passagem, que tem articulado os protestos, a primeira reunião do grupo desde quarta-feira será feita somente neste sábado (10).

Eles deverão discutir os novos rumos da manifestação. Para segunda, está prevista apenas o Catracaço, organizado pela internet, que chama a população a pular a catraca dos ônibus em reivindicação à gratuidade da tarifa.

Consertos

Um dos principais prejuízos causados com os protestos, e que poderia inviabilizar a sessão, são os danos na fiação elétrica.

Os manifestantes arrancaram fios de som, destruíram a televisão, ao jogarem um sapato na tela, e as caixas de som usadas nas reuniões no plenário. Segundo informações da Câmara, pelo menos 20 cadeiras e 15 mesas de madeiras foram danificadas.

Houve estragos nas portas e fechaduras, além de pichações na tribuna, na mesa da presidência. Também arrancaram placas de revestimento acústico, destruíram cabos, microfones, câmeras e cabos conectores.

Ao todo, 134 pessoas foram levadas à delegacia e uma investigação será iniciada pela polícia a partir da semana que vem.

Em resposta aos estragos, Campos Filho decidiu que vai ingressar com ações na Justiça para que o Legislativo seja indenizado pelos manifestantes que forem identificados como autores do quebra-quebra no plenário.

A partir do que for constatado pelas investigações policiais, o presidente quer que o Legislativo seja ressarcido dos danos.

Porém, segundo líderes dos protestos, o grupo não permitirá que a culpa seja individualizada, mas que todos assumam a responsabilidade pelos atos.

A Câmara tem orçamento anual de R$ 102 milhões por ano e os consertos sairão do caixa do Legislativo. Apenas em casos extremos é permitido o pedido de uma suplementação ao Executivo.

Tradicionalmente, a cada final de cada ano, a Câmara costuma devolver uma pequena parte que não foi gasta à Prefeitura.