Publicado 10 de Agosto de 2013 - 7h30

Por Rogério Verzignasse

Boneco representando o secretário Benassi é queimado por grevistas

Rodrigo Zanotto/Especial para AAN

Boneco representando o secretário Benassi é queimado por grevistas

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), que enfrenta uma greve de funcionários, vai passar ao longo deste ano por uma reestruturação administrativa, que inclui revisão do orçamento anual, contratação de técnicos e funcionários e a qualificação da mão de obra já disponível.

A afirmação é do presidente da empresa e secretário de Transportes, Sérgio Benassi. Segundo ele, o repasse orçamentário foi sofrendo cortes gradativos desde meados da década passada.

O repasse disponível para o custeio de serviços caiu de R$ 36 milhões para R$ 19 milhões, o que segundo ele provocou sucateamento e condenou os trabalhadores a um achatamento salarial — principais motivos da paralisação.

Segundo Benassi, a empresa conseguiu neste primeiro semestre elevar o repasse para R$ 24 milhões anuais. Ele prevê elaborar um levantamento detalhado sobre todos os setores prejudicados com cortes.

De acordo com Reno Ale, presidente do Sindviários (que representa a categoria em greve) o quadro atual chegou a um ponto insustentável: os próprios agentes de trânsito executam funções estratégicas e desde março tentam negociar a reposição das perdas salariais que chegam a 31%. O salário líquido do amarelinho, hoje, giraria em torno de R$ 1 mil mensais.

Ale criticou a Administração por, segundo ele, transformar a empresa em um “imenso cabide de emprego”. “São 90 assessores. O que aconteceu na Emdec foi o loteamento de cargos entre partidos que dão sustentação ao Executivo. Só no governo atual, são 23 novos assessores.”

Benassi rebate a acusação. “Se houve distribuição de empregos, não foi no governo Jonas. E eu não indiquei ninguém. O líder precisa relacionar o nome dos assessores que recebem indevidamente”, afirmou. Segundo ele, o programa de reestrutruação vai fazer um pente-fino para identificar quem é e o que faz cada um dos 821 funcionários. “Antes de brigar por orçamento maior e abrir vagas, vamos fazer uma radiografia no caixa, mostrar onde é investido cada centavo.”

Sobre salários, Benassi disse que a Emdec havia proposto reajuste salarial de 7,16% retroativo a maio, e aumento de mais 1% em 2014, além do reajuste de 11% nos vales alimentação e refeição — a categoria rejeitou. O sindicato planeja a volta dos funcionários ao trabalho na segunda, mas manterá briga pelos índices que considera justos: reajuste real de 6,68%, 10% de reposição e 15% nos vales. Mais passeata

Cerca de 300 funcionários em greve da Emdec participaram, nesta sexta, de uma passeata da Rua Sales de Oliveira até a Câmara, onde protocolaram um relatório da campanha salarial e pediram apoio da Casa.

Os grevistas levaram um “Judas”, que representava o secretário Benassi, acusado pelos sindicalistas de “fechar as portas da negociação salarial”. Na Câmara, sindicalistas foram ouvidos por vereadores ligados à Comissão de Mobilidade Urbana e Planejamento Viário.

Após o encontro, os manifestantes se reuniram na Avenida Roberto Mange e queimaram o boneco que representava o secretário.

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Rogério Verzignasse