Publicado 09 de Agosto de 2013 - 21h01

Storyboard sobre o roubo no CCLA

Editoria de Arte/AAN

Storyboard sobre o roubo no CCLA

Uma quadrilha invadiu o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) de Campinas e roubou livros raros, na tarde de quinta-feira (8).

Funcionários, voluntários, pesquisadores e visitantes que estavam no local foram feitos reféns, amarrados e amordaçados enquanto os bandidos recolhiam itens de uma sala reservada, que fica nos fundos da biblioteca.

Segundo a Polícia Civil, o levantamento ainda será realizado, mas cerca de 100 obras, algumas centenárias e outras ainda não catalogadas, foram levadas, principalmente do acervo do presidente campineiro Campos Sales. Há informações de que o bando fugiu em uma Fiorino com o adesivo “Museu das Artes”.

A ação teve início às 16h e durou cerca de 1h15. De acordo com os funcionários, cinco bandidos armados, sendo que apenas um estava encapuzado e um mostrou a arma na cintura, renderam ao menos 13 pessoas que estavam no 2º andar do prédio, localizado na Rua Bernardino de Campos, no Centro.

Um frequentador do CCLA, de 47 anos, tentou fugir durante a abordagem e foi agredido com chutes.

“Do resto eles foram muito calmos e até amáveis. Colocaram cadeira para uma senhora se sentar e me falaram parar pegar água com açúcar para a bibliotecária, que estava nervosa”, conta a auxiliar administrativa Josiani Bertoli, 50 anos.

As vítimas foram levadas de duas em duas para uma sala no 3º andar, onde tiveram mãos e pés amarrados e foram amordaçados com fitas.

“Eles disseram para não nos preocuparmos, porque levariam apenas o que eles foram buscar", lembra a coordenadora cultural Juraci Beretta Rodrigues da Silva, 65 anos.

“Eles sabiam o que queriam, porque foram direto na sala dos livros raros, sem perguntar nada.”

Um livro enviado por um imperador russo e uma carta enviada por um imperador chinês, ambas destinadas à Campos Sales, que estavam em um mostruário no corredor no 3º andar, foram recolhidos pelos bandidos.

Ainda não há um levantamento de quantos e quais livros foram roubados da sala dos raros, há apenas a certeza de três obras importantes, também do acervo de Campos Sales.

“De qualquer forma são obras raras ou até preciosas, e não se encontra outras iguais. Algumas da época de 1800”, comenta o presidente do CCLA Marino Ziggiatti. “Não tem valor, é inestimável. O valor maior é histórico”.

Apenas a bibliotecária de 73 anos, que não estava no centro cultural após o susto, poderá analisar quais obras foram roubadas. Foram levados ainda 7 celulares e R$ 570 em dinheiro das vítimas.

Investigação

O delegado Roney de Carvalho Barbosa Lima, do 1º Distrito Policial, acionou a perícia e foi ao local. Foram apreendidas caixas de sapatos vazias, fitas adesivas, sacos grandes de carregar farinha e uma luva cirúrgica usada por um bandido. Também foram colhidas digitais do vidro do mostruário e da sala onde as vítimas foram colocadas.

A investigação apurou que os bandidos teriam fugido em uma Fiorino adesivada, simulando ser de um museu. Também foram solicitadas as imagens da câmera da Central Integrada de Monitoramento de Campinas (CimCamp), que fica na esquina do prédio com a Avenida Francisco Glicério, para verificar a placa do veículo. O relatório do delegado ressalta que só foram roubadas relíquias de mais elevado valor artístico-cultural.

O delegado da Polícia Federal de Campinas, Hermógenes de Freitas Leitão Neto, informou que o caso será acompanhado, apesar da investigação correr pela Civil.

“Como polícia de fronteira vamos tomar medidas para, no que for possível, evitar que essas obras saiam do País”, informa. “Certamente foi um roubo encomendado, já que foram levados itens específicos”, finaliza.

Storyboard sobre o roubo no CCLA