Publicado 10 de Agosto de 2013 - 5h00

A crise que se abateu sobre o País tem suas raízes em um sistema que enfrenta há décadas um estado de abandono, falta de investimentos, escassez de recursos para o custeio, indisponibilidade de profissionais qualificados, infraestrutura física comprometida, condenando a população a uma condição de penúria imerecida. A centralização da saúde pública entre governos e administrações municipais gera um ônus tremendo para a sociedade, que paga o alto preço da incompetência e de falta de uma política honesta que permita a universalização do atendimento em todos os níveis de exigências.

Não é de hoje o embate entre os profissionais de Saúde e os governos, que não atingem nível razoável de entendimento. A classe médica sempre deu mostras de engajamento em programas de alcance popular, dando inclusive suporte ao Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem as contrapartidas essenciais de condições de trabalho, equipamentos, hospitais aparelhados, agenda de consultas razoavelmente distribuída, equipes de apoio e, inclusive, remuneração digna. Mas tudo tem limite e cada vez mais o serviço público se torna menos atraente para estes profissionais.

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), a situação da Saúde oscila entre a mais alta capacitação e performance possível, à extrema carência de atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde e hospitais públicos, penalizando a população, muito especialmente a mais carente que não consegue se precaver com planos de seguro particular. O desajuste agrava o desinteresse dos profissionais de saúde, que não conseguem encarar condições de extrema adversidade. Tanto que, nos concursos públicos realizados para suprir a rede pública de Campinas, dos 42 lugares disponíveis nas unidades, apenas 13 foram preenchidos (Correio Popular, 3/8, A12).

Na RMC, dos 42 médicos aprovados no programa federal Mais Médicos, apenas 13 optaram por preencher as vagas disponíveis, mesmo com os incentivos do governo (Correio Popular, 7/8, A8).

O que se tem é que a Saúde é um setor extremamente complexo para comportar o que seriam apenas programas oportunistas e sem abrangência de todos os viezes possíveis do problema. A contratação de médicos e estímulos ao seu engajamento em projetos públicos é essencial, mas de nada adiantam se não vierem acompanhados de uma qualificação do setor, melhoria da infraestrutura e real interesse em dar a devida atenção ao martírio da população nas filas de hospitais.