Publicado 13 de Julho de 2013 - 5h00

Por Suzamara Santos

ig - Suzamara Santos

CEDOC

ig - Suzamara Santos

Agora que estamos mesmo no inverno, estação que torna as bebidas encorpadas ainda mais irresistíveis, temos um bom pretexto para nos encantarmos com um outro derivado da uva, não tão comentado como o vinho, mas igualmente apaixonante: o conhaque, ou cognac na grafia francesa que remete à sua região de origem. E quando penso em conhaque, me vem à cabeça uma frase que explica muito do charme da bebida, deliciosamente masculina. “Todo conhaque é um brandy, mas nem todo brandy é um conhaque.”

Isso resume o orgulho (e o zelo) francês com seus produtos. Afinal, ser um destilado de uva (brandy) qualquer um pode ser, mas conhaque... É outra história. A nobreza da bebida não descende exatamente da qualidade das uvas (ugni blanc, em maior escala, seguida de colombard e folle branche) que servem de base para a elaboração e, sim, dos processos de destilação e envelhecimento. Para ostentar a palavra cognac no rótulo, a bebida tem que repousar em barricas de carvalho francês proveniente das florestas de Limousin e Tronçais, em adegas que apresentem condições perfeitas de umidade, o que vai definir sua maciez e complexidade – um grande número de adegas está concentrada às margens do Rio Clarente.

Como se sabe, o conhaque é um blend de destilados de vinhos de várias idades, alguns muito antigos (35 a 40 anos) e outros bem jovens. Sobre isso é bom entender as “misteriosas” letrinhas impressas no rótulo: VS (Very Special, ou três estrelas, para dois anos), VSPO (Very Superior Old Pale, para quatro anos) e XO (Extra Old ou Napoléon, para seis anos). Elas são frequentemente confundidas com a idade média dos destilados do blend, quando, na verdade, apontam apenas o mais jovem da composição (ainda que a média seja uma, duas ou três décadas).

Outra confusão que se faz é com a palavra champagne, que parece se referir ao cobiçado vinho espumante francês e sua região de origem. Mas não tem nada a ver. Aqui, vem do latim campagna (campos abertos), usada para contrapor a bois (bosque, em francês). Isso posto, vamos às principais regiões produtoras: Grande Champagne, Petite Champagne, Borderies, Fins Bois, Bons Bois e Bois Ordinares, sendo que as três primeiras reúnem o melhor da produção. As destilarias Courvoisier, Hennessy, Martell e Rémy Martin são responsáveis pela maior parte da produção anual de conhaque. Saúde!

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Suzamara Santos