Publicado 14 de Julho de 2013 - 5h00

Por Zeza Amaral

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Em algum tempo de séculos passados, William Shakespeare, em Hamlet, escreveu que havia algo de podre no reino da Dinamarca. Devia ter lá suas razões para fazer tal afirmação, é certo, mas, hoje, a Dinamarca é considerada o país menos atingido pela corrupção: apenas 30% (??) da sua população acredita que lá exista corrupção, segundo a Transparência Internacional, uma planetária e independente organização da sociedade civil. Na média, entre Brasil, Estados Unidos, França e Inglaterra, cerca de 70% de seus respectivos habitantes acham que seus políticos e partidos são corruptos.

Vende-se de tudo no território político. Vende-se a alma que se herdou de antepassados honrados. Vende-se a honra da própria família, a vergonha dos filhos, da esposa, dos parentes, dos amigos. E se mãe tivesse preço, vender-se-ia ela também. E também a avó e o avô.

Quem antes era um moço, ou moça, de bons dotes morais e éticos, com o tempo parlamentar se vê imantado e torna-se um especialista em falcatruas sem-fim, ora protegendo algum financiador de campanha, ora ele mesmo metendo a mão no dinheiro do povo — ou por hábito de caráter ou pela ocasião que faz o ladrão.

Sabemos muito dos políticos que roubam o erário público e tornou-se comum ouvir o povo dizer que a política corrompe a quem dela se aproxima, o que não deixa de ser verdade, é certo, na maioria das vezes. E os empresários corruptos? Verifiquemos quem está por trás das inumeráveis operações da Polícia Federal e depararemos com empresários de todos os setores. É certo que depois da grita popular nas ruas do País o parlamento aprovou uma lei que também condena o empresário que corrompe o agente público. Mas o cassado José Dirceu e os deputados José Genoíno e João Paulo Cunha, todos condenados pelo Supremo Tribunal Federal, continuam livres e cantando e andando pelas avenidas brasileiras. Um absurdo.

Costuma o empresariado brasileiro reclamar do que ele chama de Custo Brasil, revelado pela somatória da ineficiência dos nossos portos, excessiva burocracia, impostos, da qualidade das nossas estradas esburacadas, da falta de segurança pública. E tudo isso, sem dúvida, onera e muito o preço final dos produtos que os brasileiros consomem, seja alimento, ou seja um supérfluo qualquer.

Critica-se também o acomodamento político do povo quanto aos desmandos dos agentes públicos, de cunho penal e outros de incompetência administrativa, como se fosse isso a causa das ações criminosas perpetradas pelos políticos e funcionários públicos, de todos os setores. E eis que os jovens foram pra rua e deputados, sociólogos, cientistas políticos (isso existe?) e tantos outros anões morais do jornalismo (a quem chamo de anocratas, uma gente de pequena densidade ideológica e intelectual) não entenderam absolutamente nada do que estava ocorrendo, pois tal movimento não tinha partido, sindicato e líder.

Empresários honestos reclamam do Custo Brasil, mas a nenhum deles ocorre que a corrupção, que rouba dos cofres públicos cerca de 30 bilhões de reais por ano, segundo dados da própria Fiesp, tem na figura central das dezenas de quadrilhas que operam no país... o empresário.

É o empresário corrupto que compra licitações fraudadas, que sonega impostos, que financia e estimula o político desonesto. A Fiesp achou esses 30 bilhões de reais, mas neles não estão computados as mortes de brasileiros por falta de atendimento médico, a precariedade do ensino público, a falta de remédios, de moradias, transporte e empregos.

Rouba-se quanto se quer do país. Não há vergonha para se sentir; apenas prazer em se achar o esperto da hora. E eu que nunca vi enterro de anão e cabeça de bacalhau, acabo de ver sindicalistas fazendo greve geral para proteger o governo. E o reacionário sou eu, uma mula-sem-cabeça.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral