Publicado 12 de Julho de 2013 - 5h00

Por Milene Moreto

iG - Milene Moreto

Cedoc/RAC

iG - Milene Moreto

Os sindicalistas juram que o Dia Nacional de Lutas e Paralisação da Classe Trabalhadora não foi um fiasco e que tudo saiu conforme o planejamento. Acontece que nas ruas o movimento teve muito mais a cara das lideranças sindicais do que dos trabalhadores, o que mostrou certo descrédito das entidades frente às suas categorias. A adesão foi pequena e as paralisações previstas para chacoalhar o governo não ocorreram. Resta saber agora como as forças sindicais vão recuperar o tempo perdido.

Lição

Enquanto o movimento sindical seguiu esvaziado em Campinas, os moradores da região do Campo Belo e os camelôs fizeram muito barulho. Quem mora próximo ao Aeroporto de Viracopos continua a pressionar o governo por melhorias e regularização dos bairros. Os comerciantes informais, por sua vez, pedem que o Executivo resolva o problema do camelódromo e que a população e os órgãos oficiais não os tratem como “bandidos”. 

Passou a perna

A manifestação organizada ontem pelas lideranças sindicais provou que o Facebook e o Twitter nas mãos dos jovens brasileiros têm mais força quando se trata de levar uma multidão para as ruas. O que ajuda a entender o esvaziamento da manifestação sindical também é a ligação de seus líderes com partidos políticos e a presença deles nos cargos públicos. Incrédulos, os trabalhadores preferem não arriscar ao apoiar atos dessas lideranças.

Por aqui

Em Campinas, por exemplo, as maiores mobilizações nos últimos tempos sempre foram impulsionadas pelo Sindicato dos Servidores, que pressionava o Executivo com exaustivos dias de greve e de prejuízo ao serviço público para reivindicar melhorias.

Mudou...

Neste ano, a atual diretoria, ligada ao PSB, partido do prefeito Jonas Donizette, venceu a disputa para continuar no comando. Desde então, as ações sindicais foram esvaziadas e não existe nenhum tipo de mobilização entre os trabalhadores no que diz respeito à pressão ao Executivo por melhorias.

Cancelou

O pastor e deputado estadual Marco Feliciano (PSC-SP) cancelou uma participação que faria hoje na igreja evangélica Deus é Paz, em Valinhos. Há duas semanas, quando esteve na mesma igreja para participar de um culto religioso, um grupo de manifestantes protestou contra o político do lado de fora. Ele viria para o Congresso dos Jovens. O adiamento foi em razão de “compromissos políticos”. Feliciano também cancelou uma participação que faria no programa "Na Moral", da Rede Globo. De acordo com sua assessoria, ele recusou o convite porque o programa teria feito apologia às drogas, o que contribuiu para a recusa do parlamentar. 

Malinhas na mão

Na Câmara de Campinas, silêncio absoluto entre os parlamentares. Muitos fizeram as malas para curtir o recesso que termina em agosto. Outros preferiram não criar polêmica em meio à insatisfação da população com a política. Alguns articulam nos bastidores possíveis trocas de partido.

Será que agora vai?

Nenhuma cidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem uma situação política tão polêmica como a de Paulínia. Após uma série de intervenções judiciais, o comando da cidade deverá trocar de mãos na próxima semana, já que a Justiça Eleitoral vai diplomar Edson Moura Júnior (PMDB) na terça-feira. Mas isso não impede que os rivais políticos do futuro prefeito não tentem todo o tipo de estratégia para retirar o peemedebista do cargo. O que se comenta por lá é que agora se espera apenas um pequeno “equívoco” do novo chefe do Executivo para que a oposição faça muito barulho.

COLABOROU FELIPE TONON/AAN

 

Escrito por:

Milene Moreto