Publicado 13 de Julho de 2013 - 19h12

Parquinho no Largo São Benedito: parafusos de balanço estão sem madeira em volta para fixação e assento está preso com fita crepe

Janaina Maciel/Especial para a AAN

Parquinho no Largo São Benedito: parafusos de balanço estão sem madeira em volta para fixação e assento está preso com fita crepe

A má conservação dos parques infantis instalados em praças públicas de Campinas continua oferecendo riscos às crianças.

Um ano depois de a Prefeitura anunciar que faria uma varredura nos parques públicos e a reforma necessária, o IG Paulista visitou os espaços e constatou que a maior parte dos brinquedos não foi substituída. Pior. Em alguns lugares, como o parquinho do Largo Santa Cruz, no Cambuí, é possível ver “gambiarras” feitas pela população nos equipamentos. 

“Faz muito tempo que a Prefeitura não cuida dos parques. Quase não temos espaços de lazer para levar as crianças. É bem complicado”, afirmou a secretária Paula Santos.

Em julho do ano passado, depois do acidente que matou uma criança de 4 anos em um parquinho de um hotel em Águas de São Pedro, a Prefeitura informou que faria a reforma necessária nesses espaços. 

Na época, foi informado que os brinquedos com problemas seriam retirados, submetidos à reforma e posteriormente devolvidos à praça.

Pouca coisa mudou desde então. E a nova gestão informou que fará um levantamento nos parques para depois providenciar a reforma. Como ocorria há um ano, o parquinho da Praça Santa Cruz, no Cambuí, está sem balanço. E um dos brinquedos continua reparado com arame. “Muitas mães já ligaram para fazer reclamações à Prefeitura. Eu sempre acompanho o meu filho. Não deixo que ele brinque sozinho porque realmente é perigoso”, contou a empresária Érica Adriana Lazari.

No Largo do São Benedito, o parque infantil está sem brinquedos. Há apenas uma velha gangorra e um balanço. “Há 15 anos a gente morava na região e essa praça era muito melhor. Tinha uma bica de água, tanque de areia e hoje em dia está largada. Temos um espaço aqui que poderia ser muito melhor aproveitado, com academia, cerca, um tanque de areia cheio. Tudo está improvisado, até mesmo as lixeiras”, reclamou a chef de cozinha Daniela Bertocchi. 

O parque localizado na Rua Moscou, no Parque São Quirino, oferece uma série de riscos para os pequenos. A casa do Tarzan não tem escada e as crianças sobem pelo escorregador. Faltam barras de proteção laterais e as crianças ficam expostas a quedas. O gira-gira está torto e pedaços de madeira lascada expõem as crianças a ferimentos. E na área do escorregador falta areia, deixando o bloco de concreto exposto. 

“Moro aqui desde que nasci e acho que a praça nunca recebeu manutenção desde que foi construída. Não costumo frequentar muito porque minha filha ainda é bem pequena e a condição dos brinquedos é péssima”, disse Matheus Firmino de Oliveira, pai de uma criança de 1 ano e 6 meses.

Na praça do Largo do Pará, as grades de proteção da entrada estão sem o ferro e não impedem a entrada de animais. “A gente vem no período de férias e no Verão o balanço ainda não havia sido colocado e as grades já estavam assim. As crianças sentem muita falta de um escorregador, que foi retirado e a Prefeitura nunca recolocou”, contou a dona de casa Maria Aparecida Munhoz, que leva os netos para brincar no local.

Periferia e abandono

A situação, que é ruim nos parquinhos situados na região central da cidade, piora nas periferias. A dona de casa Fernanda Maria José contou que não há espaços de lazer para levar sua filha no Parque Valença. “O parquinho de lá é horrível. Não tem balanços, falta areia, é um relaxo. A Prefeitura nunca faz manutenção”, afirmou.

O pedreiro José Lima mora no Jardim Satélite Íris e disse que precisa usar ônibus ou carro quando quer levar a filha para um playground. “Não tem uma praça ou parque aqui. O mais perto é no Ipaussurama. E ainda assim, é bem ruim. Tem só três brinquedos e a conservação não é boa”, reclamou.

Criança morreu em parque de hotel há 1 ano

A menina Inês Schaller, de 4 anos, morreu no dia 23 de julho do ano passado quando brincava no playground do Grande Hotel São Pedro, em Águas de São Pedro. Ela foi atingida por uma viga de madeira do balanço. De acordo com o perito criminal Jefferson Willians de Gaspari, que assinou o laudo divulgado pelo Instituto de Criminalística de Piracicaba, a viga de madeira que sustentava o balanço usado pela menina antes do acidente estava podre. “Em função de a madeira estar comprometida, degradada, em estado de decomposição, a viga se rompeu e despencou sobre a criança”,

declarou.

Segundo Gaspari, a decomposição da madeira era tão antiga que a perícia encontrou raízes na madeira. O perito afirmou, na ocasião, que a situação ocorreu porque, muito provavelmente, o brinquedo não passou pelas manutenções previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “A associação prevê que esse tipo de brinquedo deve passar por manutenção de técnicos especializados pelo menos duas vezes por ano. Possivelmente isso não aconteceu ou se aconteceu, a manutenção foi mal feita”.