Publicado 13 de Julho de 2013 - 5h00

Por Delma Medeiros

Bono Vox, da banda U2, durante apresentação no festival Live Aid, que motivou a criação do Dia do Rock

Divulgação

Bono Vox, da banda U2, durante apresentação no festival Live Aid, que motivou a criação do Dia do Rock

Um dia para celebrar a música que, mais que um ritmo, se tornou um movimento e foi um divisor de águas no cenário musical mundial. O Dia Mundial do Rock é comemorado nesta data para marcar um dos maiores eventos do gênero, o show Live Aid, organizado em 1985 por Bob Geldof, pelo fim da fome na Etiópia e que chamou a atenção do mundo para a miséria do continente africano.

Para os músicos e amantes do rock, apesar do movimento ser sinônimo de inconformismo, a data é uma boa oportunidade para resgatar nomes que fizeram a história da música do século 20. “O Dia do Rock é bom para mostrar o que é boa música, como se faz a coisa”, afirma o produtor e pesquisador musical Erivaldo Cardoso dos Santos, o Riva, dono da loja Riva Rock, que há anos marca presença como ponto difusor da boa música de todas as épocas.

“Hoje há muitas bandas de rock e muitos lugares para tocar, mas a produção atual é muito pobre, o que é vendido como rock é muito artificial. Algumas bandas lembram superficialmente grandes nomes, mas a essência é fraca, falta referência, conhecimento”, diz. “O rock libertou o mundo. Mas depois criaram tantos nomes, tantos estilos, cada um ficou brigando com o outro e todos perderam o feeling do negócio.”

Para Riva, os donos de bares também são responsáveis por esse empobrecimento do rock. “A maioria não tem conhecimento musical, só se preocupa com o aspecto mercantilista e enche os bares de bandas covers, sem permitir que elas mostrem também seu lado autoral. Isso limita muito”, diz, citando que os músicos se preocupam mais com o visual — punk, heavy metal, hard — que com a essência. Mas, a data tem que ser lembrada, segundo ele. De sua parte, além de promoção geral em sua loja hoje, ele antecipou a comemoração trazendo a Campinas, no final de junho, a banda paulistana Violeta de Outono, com abertura do JezzTroy Trio, grupo criado com a proposta de pesquisar a música de Jimi Hendrix para criar seu trabalho autoral

O músico e empresário Daniel “ET” Giometti, que criou sua primeira banda de rock em 1987 e hoje é proprietário da loja de discos Chop Suey, também avalia que muitas bandas que surgiram a partir dos anos 1990 tem o apelo da cultura de massa e, portanto, prazo de validade. “Na época que criei minha primeira banda, o rock estava forte no cenário brasileiro com grupos como Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor. Mas a cultura de massa tem data de validade. Na sequência veio a lambada, ritmos baianos, forró universitário, hoje é o sertanejo universitário. Mas o público do rock underground permanece fiel e crescente. Hoje recebo muitos jovens procurando clássicos do rock como Rolling Stones, Jimi Hendrix. E não é só o estereótipo do roqueiro, vem médicos comprar discos de rock, advogados. É um público fiel”, afirma Ete.

Para ele, a região tem boas bandas autorais. “Mas o público parece preferir mesmo as músicas cover, assim como os donos de bares, que acham mais garantido que investir em trabalho autoral.”

Maks Tiritan, roqueiro há pelo menos duas décadas e criador do Movimento Permanente Musicália Campinas (MoPeMuCa), que busca agregar as bandas locais, discorda dos colegas e avalia que o cenário do rock tem melhorada bastante, apesar do pouco espaço em rádios e TVs. “Eu que frequento os redutos de rock tenho uma visão muito clara da quantidade e qualidade das bandas de Campinas. Respeito as bandas covers, mas o foco do Mopemuca é mais no trabalho autoral. Na edição do Rocksquenta que fizemos na semana passada, antecipando a comemoração do Dia do Rock, a Concha Acústica estava lotada. Isso é um reflexo claro da efervescência pulsante do rock na cidade”, avalia Tiritan. Para ele, “o rock é mais que um ritmo, é um movimento, um lance de consciência, que não mexe só com o corpo, mas com a cabeça das pessoas” .

Em Campinas, vários bares mantém o rock como uma constante na programação. No Dia do Rock não podia ser diferente e esses redutos capricharam na programação, com atrações internacionais, programa duplo, bandas covers e nomes que vem se destacando no cenário roqueiro. Além dos bares, lojas especializadas no assunto fazem promoções para atrair os clientes e divulgar a música, a atitude e o movimento deflagrados pelo rock.

Serviço

Programação de show em bares no Dia Mundial do Rock

Rolling Stones Cover (21h), no Dark Side Rock Bar (Rodovia Edenor João Tasca, 980 - Observatório - Vinhedo. Telefone: 19 7831-0756). Couvert: R$ 18,00.

Banda Rock of Age (22h), no Andarilho Bar (Rua Sampainho, 197 - Cambuí - Campinas. Telefone: 19 3254-3721). Couvert: R$ 17,00 (homem) e R$ 13,00 (mulher).

Jair Neves (22h), no Bar do Zé (Av. Albino J.B. de Oliveira, 1.325 - Barão Geraldo - Campinas. Telefone: 19 3289-3159). Couvert: R$ 12,00 (até 22h) e R$ 15,00 (após 22h).

Jarrad Thompson Band (22h), no Delta Blues Bar (Av. Andrade Neves, 2.042 - Castelo - Campinas. Telefone: 19 3242-8166). Couvert: R$ 20,00.

These Days e Bon Jovi Cover (23h), no Sebastian Bar (Rua D. Maria Umbelina Couto, 79 - Jardim Guanabara - Campinas. Telefone 19 3212-1508). Couvert: R$ 22,00.

Banda The Noite Classic Rock (23h), no Woodstock Music Bar (Rua Erasmo Braga, 6 - Bonfim, Campinas. Telefone: 19 3243-5297). Couvert: R$12,00 (mulheres têm entrada franca até meia-noite).

Escrito por:

Delma Medeiros