Publicado 11 de Julho de 2013 - 23h06

Manifestantes se concentraram em frente ao Terminal Central de Integração

Christiano Diehl Neto/AAN

Manifestantes se concentraram em frente ao Terminal Central de Integração

Com uma pauta de reivindicações extensa, focada principalmente nas demandas trabalhistas, as centrais sindicais levaram os trabalhadores as ruas, na manhã desta quinta-feira (11), em Piracicaba. As ações na cidade foram organizadas pelo Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), do qual 28 sindicatos são filiados, e teve a adesão da categoria no chamado Dia Nacional de Lutas — a iniciativa ocorreu em todo o Brasil.

As manifestações tiveram início às 3h30, com um ato em frente as duas garagens de ônibus, no Santa Terezinha e em Laranjal Paulista. Os veículos do transporte público ficaram parados até às 11h e o comércio manteve as portas fechadas até às 12h.

De acordo com o presidente do Conespi, Fânio Luis Gomes, cerca de 2 mil pessoas, grande parte funcionários da Dedini, participaram do manifesto em frente à indústria, às 4h. A partir das 8h, a concentração foi na praça do TCI (Terminal Central de Integração), que estava com as portas fechadas.

“Por dia, cerca de 100 mil pessoas utilizam o serviço de transporte coletivo na cidade. Metade faz uso no período da manhã. A manifestação traz prejuízo ao sistema que fica sem arrecadar. Mais de 40% dos passageiros transportados no dia são trabalhadores que pagam a tarifa integral”, explica o diretor do Departamento de Transportes Públicos, Vanderlei Quartarolo.

Às 8h30, os manifestantes fecharam os cruzamentos da avenida Armando de Salles Oliveira com a rua XV de novembro. Motoristas tiveram que andar na contramão para fugir do movimento. Ônibus intermunicipais ficaram “ilhados”. Às 9h, um veículo com destino a Rio Claro, com 10 passageiros, previsto para sair de Piracicaba às 8h30, ainda estava na região central.

“Por ser um primeiro manifesto organizado pelo Conselho, o resultado é positivo. Modificamos a rotina da cidade e o número de participantes só não é maior porque grande parte dos trabalhadores que nos apoiam utilizam o transporte público e, com a paralisação, não tiveram como participar”, explica o presidente do Conespi, Fânio Gomes.

Cerca de 400 pessoas se concentraram na praça do TCI e saíram em passeata pelas viasdo Centro. Percorreram a ruas XV de novembro, Governado Pedro de Toledo, São José e fizeram o contorno da Praça José Bonifácio, onde o movimento terminou. Com cartazes, bandeiras sindicais e placas de reivindicações, os manifestantes distribuíram panfletos e conversaram com populares.

Pacífico

Diferentemente dos últimos protestos realizados na cidade, o desta quinta-feira transcorreu normalmente sem atos de vandalismo ou incidentes, mesmo com um bom número de pessoas presentes ao Dia Nacional de Luta — a iniciativa foi realizada em todo o Brasil. Apesar disso, os comerciantes da região Central decidiram não abrir seus estabelecimentos, exceto algumas lanchonetes e drogarias. Alguns estabelecimentos comerciais não abriram as portas nem mesmo após o fim da movimentação, por volta das 12h.

Proprietário de uma relojoaria ao lado do TCI, o comerciante Valter Faurin, afirmou que mesmo sentindo-se protegido pela presença dos policiais militares e da Guarda Municipal, preferiu não abrir sua loja. “Acho os protestos válidos desde que eles não prejudiquem a população ou o patrimônio público”.

O gerente de uma drogaria localizada no Centro que preferiu não se identificar disse que pela manhã uma perua Kombi passou pelas ruas alertando os lojistas que as lojas não deveriam ser abertas, caso contrário, correriam o risco de serem depredadas. “Ele avisou, porém, que as drogarias não correriam esse risco”.

O casal de namorados Davison dos Santos, 20 anos, e Tamires Lira, de 22 anos, foram avisados pelos seus patrões que as lojas hoje não seriam abertas, mesmo assim, se deslocaram até o Centro para acompanhar de perto os manifestos. “Acho tudo válido desde que não prejudique outras pessoas. Tem muitas coisas que precisam ser melhoradas no nosso país”.

Os colegas Nelson Rocha e Caio Zanata também foram acompanhar os protestos no Centro. Vestidos com os uniformes das lojas em que trabalham disseram que ficariam no aguardo do gerente para reassumirem o trabalho numa loja de eletrodomésticos.

(Com informações de Juliana Franco/AAN)