Publicado 11 de Julho de 2013 - 10h41

Por Inaê Miranda

O funkeiro Daniel Pellegrine - MC Daleste - de 20 anos, foi assassinado durante a realização de um show no bairro San Martin, em Campinas

Reprodução/ Facebook

O funkeiro Daniel Pellegrine - MC Daleste - de 20 anos, foi assassinado durante a realização de um show no bairro San Martin, em Campinas

Um novo vídeo do show do funkeiro Daniel Pellegrine, o MC Daleste, divulgado ontem, poderá ajudar na investigação sobre o assassinato do cantor na madrugada do último domingo. As imagens foram feitas pelo vice-presidente da associação de moradores do CDHU San Martin, Orlando Alves dos Santos, que estava em cima do palco.

Ele traz imagens na direção do público e mostra o momento em que o cantor foi atingido pelos dois disparos. A polícia descartou a participação das pessoas que estavam no palco como cúmplices e trabalha com a hipótese de que o crime foi premeditado. Hoje, familiares e integrantes da equipe que acompanhava o músico devem ser ouvidos.

Santos e o presidente da associação de moradores do CDHU, Anderson de Souza, foram espontaneamente à delegacia para apresentar as imagens e prestar esclarecimentos. Ambos estavam no palco no momento dos disparos. Eles chegaram a trocar sinais de que haviam escutado barulho de tiro. “Vi a hora do primeiro disparo e falei para meu vice que foi tiro, mas no barulho não dava para a gente se comunicar muito bem e também não tínhamos certeza. Um minuto e meio depois vimos o segundo disparo que acertou Daleste”, contou Souza.

As imagens feitas por Santos têm duração de quatro minutos e mostram o público e o cantor, que aparece de costas. O vice-presidente da associação disse que chegou a ser acusado por usuários da internet como possível assassino. “Nem respondi porque é totalmente descabido. Como tenho essa imagem que acredito que pode ajudar o trabalho da polícia, decidi apresentá-la ao delegado”. Eles também negaram que tenha havido qualquer desentendimento entre a organização e o artista. “Desminto. Não houve. Ele chegou, demos uma atenção e ele já subiu no palco. Não teve briga nenhuma”, disse. Outra linha de investigação da polícia é de crime passional.

O delegado do setor de homicídios, Rui Pegolo, afirmou ontem que seis pessoas foram ouvidas oficialmente até o momento e que a princípio a participação daquelas que estavam no palco está descartada. “A versão deles foi verossímil, crível, o que afastou a possibilidade de participação deles por hora.” Segundo Pegolo, o assassino premeditou a ação. “A gente presume que era um autor profissional, já que o disparo foi a média distância, aproximadamente, de 20 a 30 metros, e que ele se preparou, se equipou.” O delegado também disse que o autor dos disparos estudou o local do crime.

Depoimentos

Entre os primeiros depoimentos ouvidos ontem estão o de Gabriel de Assis, que aparece em uma das imagens fotografando e fazendo sinais antes dos disparos que atingiram Daleste, e o pai dele, José Francisco Moreira de Assis, que era o técnico responsável pelo som. Segundo José Francisco, o sinal que o filho fez foi uma coincidência. Gabriel explicou que não estava fazendo sinal para ninguém e que apenas mexeu no cordão da câmera fotográfica. “Nós nem conhecíamos o Daleste antes daquele show”, afirmou Assis. As fotos tiradas por Gabriel foram entregues para a polícia.

As testemunhas relataram ainda que o local do crime não foi isolado e que fãs subiram no palco e chegaram a passar peças de roupa no sangue do artista. Os relatos ainda dão conta de uma mulher que teria visto o atirador, que estava bem vestido, usando luvas pretas e com o celular e arma na mão. A polícia disse que checa a informação de que o funkeiro vinha sofrendo ameaças e que estava sendo extorquido, mas aguarda depoimento da família e da equipe que o acompanhava no show, o que ajudarão a traçar o perfil da vítima. Pegolo disse que espera os laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal, que podem elucidar o caso.

O caso

O funkeiro MC Daleste foi atingido na noite de sábado por dois tiros enquanto fazia um show em uma quermesse do bairro CDHU San Martin para cerca de 6 mil pessoas. Um dos disparos atingiu o músico de raspão na axila e o outro, feito um minuto e meio depois, atingiu o abdome. Ele foi levado com vida para o Hospital Municipal de Paulínia, mas não resistiu e morreu na madrugada de domingo. A Polícia Civil de Campinas montou uma força-tarefa com três delegados, além de policiais e investigadores, para desvendar o crime.

Escrito por:

Inaê Miranda