Publicado 14 de Julho de 2013 - 1h16

O objetivo de muitos turistas é aprender línguas estrangeiras e, ao desembarcar em outro país, se comunicar perfeitamente. Aliás, o brasileiro que viaja ao Exterior é superconsciente da necessidade de falar pelo menos o inglês. O aprendizado dessa língua é algo incorporado à nossa cultura, mas é bem verdade que muitos ficam apenas no "the book is on the table", como mostrou a reportagem de Fábio Gallacci. O aprendizado de outro idioma é importante tanto para quem viaja, quanto para quem recebe. Para quem sai do Brasil, é uma maneira de se virar sozinho e não ficar tão alienado ao que acontece ao redor e também ter mais liberdade de poder conhecer a cidade sob todos os ângulos. Para quem recebe, além de deixar uma boa imagem para o turista estrangeiro, é também uma forma de garantir uma venda, uma boa gorjeta e, quem sabe, um retorno no próximo ano.

Apesar da necessidade de falar outro idioma, é engraçado como muitos estrangeiros chegam por aqui sem falar uma palavra em português e ainda se queixam que não foram bem-recebidos. Tenho dois amigos que sempre visitam o Brasil e fazem cara feia quando tento conversar com eles em português. Aprender uma língua estrangeira, ou pelo menos algumas palavras, é o mínimo que um turista deve fazer.

Eu morria de medo de visitar países cujos idiomas eu não domino. Isso adiou por muito tempo a minha ida à França. Em 2010 eu ainda não havia começado o curso (nem o fiz até hoje), mas decidi que queria visitar Paris e que iria me comprometer com algumas palavras. Na verdade foram bem poucas palavras, no máximo: obrigado, por favor, bom dia, boa tarde, boa noite e até logo.

E sabe que me saí bem por lá? O que mais me ajudou foi a sinalização. Metrô, aeroportos, pontos turísticos e até as ruas são supersinalizadas. Meu trabalho foi apenas traçar minhas rotas (antes de sair de viagem), imprimir tudo (deixando uma cópia no celular) e quando cheguei, pude conhecer a cidade de Norte a Sul sem ter a necessidade de pedir informação.

E quando precisei localizar uma estação de metrô, me dirigi a um parisiense em francês, dizendo que eu era brasileiro que falava apenas inglês e espanhol. Para minha surpresa (pois os franceses têm fama de odiar a língua inglesa), fui respondido em inglês. A pessoa me deu a direção e ainda disse que amava o Brasil.

Pois é, não custa aprender algumas palavras, mas isso não é uma regra. Sonho em ir para a Rússia, mas a língua ainda me impede. Lá, a postura não é tão internacional.

Eduardo Gregori é editor de Turismo do Correio Popular