Publicado 10 de Julho de 2013 - 14h19

As provas do ENEM já começam nessa segunda-feira 13 de Maio

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As provas do ENEM já começam nessa segunda-feira 13 de Maio

Grande parte (79%) do desempenho das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é explicada por fatores exteriores a ela, como o nível socioeconômico das famílias dos alunos, a cor da pele dos estudantes, a dependência administrativa e o Estado em que está localizada, entre outros. O chamado efeito escola responde, portanto, por apenas 21% da média da unidade.

A conclusão é da pesquisa de doutorado do professor Rodrigo Travitzki, realizada na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Travitzki é professor de biologia do Ensino Médio do Colégio Equipe. O estudo, que recebeu o título "Enem: limites e possibilidades do Exame Nacional do Ensino Médio enquanto indicador de qualidade escolar", foi orientado pela professora Carlota Boto.

A maior contribuição da pesquisa, segundo o autor, é mostrar o que de fato os rankings com dados do Enem revelam e os efeitos que podem gerar. “De certa forma, confirmei com a estatística o que muitos já imaginavam: o ranking informa mais sobre as condições socioeconômicas da escola do que sobre seu possível mérito pedagógico”, sintetiza Travitzki.

O estudo foi feito com base nos microdados do Enem de 2009, divulgados em 2010. Para a observação do perfil dos alunos e das escolas Travitzki cruzou informações do questionário socioeconômico da avaliação com dados do Censo Escolar do mesmo ano.

A prática de ranquear as escolas considerando somente as notas esconde o perfil dos alunos que ali estudam, afirma o professor. “Segundo os cálculos, 20% das escolas estavam abaixo da média no ranking, mas teriam resultado acima do esperado, quando consideramos as diferentes condições socioeconômicas. Ou seja, essas escolas estariam realizando um bom trabalho, mas o ranking as desvaloriza”, afirma.

Para Francisco Soares, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos mais respeitados especialistas em avaliação do País, a pesquisa de Travitzki joga luz sobre questões do Enem que nunca foram muito debatidas. “A contribuição mais importante do Rodrigo foi constatar que o Enem está usando itens que têm comportamento empírico ruim. Claro que a tese tem várias outras qualidades, mas ele coloca a necessidade de mais transparência em pontos que não haviam sido considerados antes”, explica Soares.

Rankings

Para o pesquisador, usar o Enem para ranquear escolas, enxergando nele um indicador da qualidade de ensino das instituições, é uma prática problemática por diversos fatores – um deles é utilizar o mesmo exame para várias finalidades. “Uma boa prova de seleção, por exemplo, deve ter um número maior de itens difíceis, enquanto uma prova para avaliar o sistema educacional precisa de mais itens médios”, defende. “Há também problemas mais técnicos, que todos conhecem bem, como a comparabilidade das médias e a ausência de amostras por escola.”

O pior efeito, segundo ele, é a utilização comercial que se faz dos rankings baseados no Enem. “É um fator relacionado a uma supervalorização dos mecanismos de mercado. A ideia é que publicar resultados por escola ajuda a informar os pais, enquanto consumidores, e estimula as escolas a melhorar. Mas essa informação, além de superficial, é distorcida e se insere em uma estrutura mais ampla muito engessada”, afirma Travitzki.

Segundo ele, as escolas particulares acabam ficando “presas” às tendências do mercado, preparando-se essencialmente para o desempenho na prova. “Isso não é ruim em si mesmo, se considerarmos que o Enem tem um efeito positivo no currículo do Ensino Médio em relação ao que se tinha antes. No entanto, a parte ruim, na minha opinião, é quando se supervaloriza o Enem e as provas em geral, como se a Educação servisse só pra isso.”

Fonte: Todos Pela Educação