Publicado 11 de Julho de 2013 - 5h00

Por Zeza Amaral

ZEZA

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Dilma Rousseff, no dia da sua posse, jurou respeitar e defender a Constituição, e, ao ouvir as vozes das ruas berrando por mais eficiência nos serviços públicos e o fim da bandalheira no Congresso e ministérios, tomou atitudes que levam a crer que ou ela não leu a nossa Constituição ou se a leu não entendeu nada o que nela vai escrito, a começar pelo seu artigo quinto: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade...”.

No mês retrasado, se não me falha a cachola, Dilma anunciou a contratação de seis mil médicos cubanos para suprir a demanda nos mais pobres e longínquos rincões do País. Instituições médicas as mais diversas se mobilizaram contrárias a tal medida e, aos poucos, a ideia presidencial foi caminhando para a bacia das almas até o dia em que a classe política levou uma bronca nacional de uma juventude que bem pensavam estar sob controle. E Dilma, no mais infantil estilo demagógico, voltou novamente à carga e dias atrás lançou o programa “Mais Médicos para o Brasil”, que vem a ser ainda pior do que a dita e moribunda contratação de médicos cubanos — agora trocada por médicos portugueses e espanhóis.

O programa prevê uma bolsa de R$ 10 mil a R$ 30 mil a médicos que se disponham a exercer o ofício em lugares onde nem pajés e curandeiros ousariam entrar e aí alguém pergunta se nesses lugares têm hospitais ou mesmo um ambulatório decentemente aparelhados. Segundo a presidente, uma verba adicional já está disponibilizada para a construção de 6 mil unidades básicas de saúde (UBSs) e reforma e ampliação de outras 11,8 mil, além da construção de 225 unidades de pronto atendimento (UPAs).

Curioso que só após a grita das ruas o problema da saúde se tornou prioritário para o governo petista que em 2010 prometeu entregar 1 milhão de casas populares e, até agora, só entregou cerca de 250 mil chaves. E mais curioso ainda que ninguém da oposição tenha ido à tribuna da Casa do Povo para denunciar que o programa petista de “Mais Médicos para o Brasil” é mais um engodo eleiçoeiro petista porque não há médicos suficientes no país nem mesmo para atender o atual número de hospitais, prontos socorros e ambulatórios — públicos e privados. E a estupidez se configura na medida provisória que a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso: a partir de 2015, todo estudante que iniciar o curso de medicina terá que trabalhar dois anos no SUS para obter o diploma. Além da Constituição, a presidente Dilma não sabe a diferença entre um doutorando (aluno do sexto ano) e um residente (médico já formado que faz estágio em hospital para se especializar em alguma área acompanhado por médicos experientes). A MP aloprada da presidente fatalmente afastará futuros jovens interessados em se tornarem médicos e aí neurônios indignados berram na minha cabeça: por que só médicos serão obrigados a trabalhar no SUS? Afinal, todos são iguais perante a lei e isso vale também para engenheiros, advogados, psicólogos, dentistas, pedreiros, sapateiros e até mesmo para cronistas, calistas e, sobretudo, para políticos em início de carreira.

De resto, mesmo que a presidente Dilma consiga contratar meia dúzia de médicos amanhã, em que condições eles encontrarão as atuais unidades hospitalares, hein? Ironia à parte, o fato é que, segundo o próprio Ministério da Saúde, somente em 2022 o problema começaria a ser combatido. Até lá, sugiro ao Congresso aprovar o quanto antes a profissão de pajé e curandeiro — e lhes pagar um bom salário, é claro; além de subsidiar o cultivo de plantas medicinais — para evitar o que já é um morticínio nos confins do País: milhares de mães e filhos morrendo no pós-parto; ou de diarreia, malária e gripe. Ou seja: por falta de remédios.

Enfim, ou muito me engano ou a moçada vai voltar às ruas muito antes do Lula confessar que não sabia de nada. Será a volta dos que não foram contra a volta de quem nunca foi e jamais irá. E isso pode acontecer ainda hoje, pois as centrais sindicais do peleguismo petista estão querendo tomar de nossos jovens manifestantes apartidários as ruas que eles pensam ser suas. Veremos.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral