Publicado 11 de Julho de 2013 - 21h10

Por Rubens Morelli

Colunista do Correio Popular Rubens Morelli

AAN

Colunista do Correio Popular Rubens Morelli

Até Thomas Edison, o inventor da lâmpada, se estivesse vivo e na Arena Independência na noite de quarta-feira, teria apagado os refletores para dar uma luz, com o perdão do trocadilho, ao Atlético Mineiro. A queda da energia em um conjunto de holofotes já na parte final do jogo contra o Newell's Old Boys foi providencial.

Eu gostaria de acreditar que foi por acaso, mas não consigo. Não concordo que alguém derrube a energia propositalmente durante uma partida de futebol, que fique bem claro. O imprevisto pode influenciar no resultado, diminuindo a grandeza dele, fazendo com que todos comentem a importância do inusitado para a mudança do panorama do jogo. E foi o que aconteceu.

Até a queda de energia, o Galo não conseguia mostrar consistência no plano de ataque para chegar ao segundo gol. De fato, o Newell's dominava o segundo tempo. A torcida argentina cantava a plenos pulmões, até calando a massa atleticana, famosa por seu apoio irrestrito nos estádios por onde o time passa. As imagens contrastavam a euforia dos visitantes com a apreensão dos anfitriões.

Mas aí, a energia caiu. Um a um, os holofotes foram se apagando. Ronaldinho, o capitão atleticano, tentou convencer o juiz de que era possível seguir com a partida, preocupado que estava com o ritmo de sua equipe. Victor, o maior prejudicado pela falta de luz, também queria jogo, enquanto a torcida argentina fazia barulho. Sem sucesso no convencimento da arbitragem, os jogadores conseguiram outra coisa, bem mais importante. A massa aproveitou o momento para dar o seu recado ao time: “Eu acredito, eu acredito”.

Cuca reuniu o grupo e certamente usou a torcida a seu favor no discurso motivacional. Se o estádio acreditava, por que não os jogadores também? Antes aflita, a massa voltou a jogar com o time durante a interrupção. E Guilherme foi no embalo da força das arquibancadas. O garoto, já criticado por boa parte dos atleticanos, tirou o “Uh!” da torcida em seu primeiro chute, após cruzamento de Luan, e depois fez a festa da galera ao arriscar e acertar uma bomba de longa distância.

Melhor time da primeira fase da Libertadores, o Atlético estava de volta à briga pelo título. Com o clima todo favorável no Independência, Ronaldinho deu aquele sorriso maroto para Victor antes da disputa por pênaltis, como se já soubesse que a luz do camisa 1 voltaria a brilhar. E a defesa na cobrança de Maxi Rodríguez aconteceu como se todos os torcedores tivessem pulado junto com o goleiro para espantar a sombra do quase.

Se a queda de energia foi proposital, quem a derrubou, hoje sorri, marotamente, de orelha a orelha. E não se importa que todos comentem mais o inusitado do que os méritos do Galo. Afinal de contas, essa é a Libertadores, e não a Liga dos Campeões.

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Rubens Morelli