Publicado 10 de Julho de 2013 - 8h29

Colunista Guto Silveira

Divulgação

Colunista Guto Silveira

Há uma luz se acendendo para a melhoria do atendimento de saúde no Brasil. Precisou chegar aos estertores, que as pessoas fossem para as ruas, para que o inerte governo anunciasse algumas medidas. Uma delas é a obrigatoriedade de recém-formados atenderem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por dois anos. É uma medida salutar. O período de dois anos pode ser ainda um bode na sala, um objeto de negociação. Pode ser que ele se reduza. A obrigatoriedade precisa ser encarada, pelos futuros profissionais, e pela população, como um ato simbólico, mas prático. Um médico levado a enfrentar problemas sociais extremos pode ficar mais suscetível a atender em locais para onde nunca imaginaria ir. Outro ponto, principalmente para estudantes de escolas públicas, é que o ato representa uma forma de devolução do muito que a sociedade paga em impostos para que eles possam ter um diploma de curso superior. O lado prático é que muito provavelmente o atendimento melhorará, com mais pessoas se dedicando. A forma como isso vai se dar, o quanto receberão estes médicos e por quais jornadas de trabalho é tudo discutível. O fato é que é uma saída possível para um problema crônico e uma oportunidade de se melhorar a formação. É claro que os estudantes de Medicina têm o direito de perguntar se a “novidade” não pode atingir outros campos de conhecimento. E claro que isso é possível. Principalmente, claro, para alunos de escolas públicas. Em algum momento deveria ser exigida uma forma de “devolução” de parte dos recursos a que tiveram direito, em benefício da população. As cabeças pensantes do governo (e são muitas) podem encontrar a fórmula.

BOA DISCUSSÃO

De Brasília, onde participa da XVI Marcha em Defesa dos Municípios, a prefeita Dárcy Vera (PSD) posta no Facebook que nesta edição está se discutindo o desequilíbrio federativo e a crise nas cidades. Já não era sem tempo. Há muito que os municípios arrecadam impostos, mas a centralização fica com a União, que distribuiu os recursos dos contribuintes de acordo com seus critérios e conveniências. Que isso possa mudar um pouco e os prefeitos possam deixar de pedir “esmolas”.

QUEDA

“Em 1988, a União repassava aos Estados e municípios 88% de tudo o que arrecadava. Hoje, repassa apenas 36%. Tem muita cidade que depende dos deputados para conseguir recursos. Isso não está certo. O repasse precisa ser feito aos municípios para investimentos", afirmou Dárcy Vera, durante o encontro, em defesa de uma revisão no Pacto Federativo. A mudança é realmente urgente. Afinal os maiores problemas da população são enfrentados pelos municípios.

CONVITE

Em Brasília, a prefeita se encontrou com Clóvis de Oliveira, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), e o convidou para conhecer o Distrito Empresarial do município. A visita será agendada para os próximos. A Onudi é um órgão das Nações Unidas que visa à redução da pobreza e a transferência de tecnologia entre países. Um dos interesses da organização é estreitar as relações com o Brasil e, para isso, a Onudi busca instalar escritórios de desenvolvimento tecnológico locais.

PELO MUNDO

Depois de atuar no setor público por cerca de 30 anos, o historiador e escritor Célio Turino está correndo o mundo para divulgar um “produto” que ele ajudou a criar quando atuou no Ministério da Cultura, durante o governo Lula. Trata-se dos Pontos de Cultura, incumbidos de popularizar a difusão da cultura. Ribeirão preto têm vários deles, com atuação de vários grupos culturais. Turino disse que já há pontos na Colômbia, Peru, Argentina e Costa Rica.