Publicado 15 de Julho de 2013 - 8h58

Aeroporto Internacional de Viracopos, principal porta de entrada de estrangeiros na região: taxista abordado pela reportagem não conseguiu se comunicar em inglês

Janaina Maciel/Especial para a AAN

Aeroporto Internacional de Viracopos, principal porta de entrada de estrangeiros na região: taxista abordado pela reportagem não conseguiu se comunicar em inglês

Que o brasileiro tem espírito acolhedor e sabe ser um ótimo anfitrião ninguém duvida. Mas um sorriso largo e simpatia não bastam para receber de forma adequada a grande leva de turistas que promete chegar ao País durante a Copa do Mundo do ano que vem e a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016. Apenas para o Mundial de futebol, o Ministério do Turismo (MTur) espera o desembarque de 600 mil visitantes estrangeiros no País. Com forte vocação para o turismo de negócios e com cerca de 25 mil visitantes circulando pela cidade semanalmente, Campinas está na briga para receber delegações de atletas em pelo menos um dos dois eventos esportivos programados. Treze países já enviaram representantes, mas ainda não há nada confirmado. Uma rápida visita em alguns pontos comprova que ainda falta muito para que os campineiros estejam realmente preparados para acolher os estrangeiros. A reportagem do Turismoacompanhou a professora de inglês Angela Reimberg em diversos locais e constatou as dificuldades que um visitante que não fala português terá para ser atendido.

Os problemas já começaram no Aeroporto Internacional de Viracopos, porta de entrada da região. O taxista não entendia uma palavra de inglês e ficou atônito quando a passageira Ângela pediu para que ele a levasse até a bus station (rodoviária). Perguntou se ela ia para algum hotel, pediu um cartão do lugar e quando percebeu que a situação fugia de sua rotina normal, travou. Os colegas ao lado também foram surpreendidos. Sem saber o que fazer, ele simplesmente foi com a professora/passageira até o guichê de sua empresa no saguão. A atendente também não tinha o domínio do inglês e indicou o centro de informações que ficava a poucos metros dali. Nesse local, finalmente, a professora encontrou alguém que a entendesse. A mesma pessoa explicou para o motorista para onde ele deveria levar sua passageira. No trajeto, o taxista permaneceu em silêncio e, claramente constrangido, não soube responder perguntas básicas como, por exemplo, qual era o seu nome ou quanto custaria a corrida. Noções básicas do idioma estrangeiro poderiam ajudá-lo a pelo menos aliviar a situação enquanto dirigia.

Na rodoviária, uma jovem que estava no posto de informações turísticas da Prefeitura também ficou nervosa e não mostrou uma fluência adequada de inglês para a função, mas, apesar disso, conseguiu tirar as dúvidas da professora. Em outro ponto de informações da estação, as duas funcionárias tentavam a todo custo explicar para Ângela que não entendiam o que ela estava dizendo. As funcionárias correram para pedir ajuda a um colega, que conseguiu se comunicar.

O taxista que levou a professora e o repórter da rodoviária até o bairro Cambuí, ponto de muitos restaurantes e lojas procuradas por turistas, também não sabia falar inglês e recorreu ao velho “jeitinho brasileiro” de se comunicar com as mãos ou soltar palavras que poderiam trazer algum tipo de entendimento à conversa. “I don't speak english”, se limitou a dizer. Com as mãos, ele conseguiu mostrar que o trânsito na cidade nos horários de pico é complicado, mas não entendeu quando perguntado como estava o tempo na região nos últimos dias.

Em uma confeitaria famosa no Cambuí, nenhum dos garçons soube se comunicar em inglês, mas o primeiro a chegar à mesa para fazer o atendimento teve a boa sacada de buscar um cardápio no idioma falado pela professora. Isso foi considerado algo positivo já que facilitou a escolha do pedido. Na hora de pedir a conta, mais uma vez, a única forma de comunicação possível entre o funcionário e os ocupantes da mesa foi com gestos.

A poucos metros dali em uma loja especializada em produtos importados, a balconista ficou aflita ao não entender uma palavra sequer que estava sendo dita pela cliente que acabara de entrar pedindo para ver sunglasses (óculos de sol). “Não estou entendendo o que a senhora fala, espere um pouco aqui”, pediu a vendedora, indo buscar ajuda das colegas, que também não puderam colaborar. Em uma tentativa sem sucesso de se fazer entender, a funcionária começou a falar devagar, como se a velocidade das palavras possibilitasse que a turista entendesse. “A pessoa que fala (inglês) chegar daqui a cinco minutos”, explicou, fazendo o sinal dos minutos com as mãos. A “cliente” foi embora sem entender nada.

“Você percebe que as pessoas são educadas e se preocupam em ajudar, mas o fato de não saberem o básico de outro idioma dificulta as coisas em situações rotineiras. Um simples curso de inglês, para possibilitar uma comunicação básica, já poderia ser muito útil para quem lida diretamente com o público”, afirmou a professora Ângela, ao fim do passeio não tão bem sucedido.