Publicado 14 de Julho de 2013 - 12h24

Por France Press

Em Paris, multidão acompanha desfile de 14 de julho, aberto por tropas do Mali nos Champs Elysees

France Presse

Em Paris, multidão acompanha desfile de 14 de julho, aberto por tropas do Mali nos Champs Elysees

O presidente francês, François Hollande, comprometeu-se a combater o "pessimismo" dos franceses, prometendo uma recuperação econômica nos próximos meses, em uma entrevista concedida neste domingo após o desfile de 14 de julho, que celebrou a "vitória" no Mali.

Enquanto persistem as dúvidas sobre a sua política, o presidente francês se propôs a dissipar o "pessimismo" que caracteriza "há anos" a França em relação a seus vizinhos.

"A recuperação está aqui!", assegurou o presidente, citando a retomada do crescimento industrial. "Existe a certeza de que o segundo semestre será melhor do que o primeiro", garantiu, apesar do ceticismo geral sobre o estado da economia francesa.

Para atingir seu objetivo de reverter a tendência da taxa de desemprego até o final do ano (que atinge 11% da força de trabalho), François Hollande não apresentou novas medidas, contando com as já adotadas, como a criação de postos de trabalho subsidiados para jovens pouco qualificados.

"Estou lutando, não quero inventar mais uma medida (...) a política não se faz com mágica, mas com vontade, estratégia, consistência", disse Hollande, que convocou seus compatriotas a superar seu pessimismo, mais profundo do que em "países em guerra."

Este tímido crescimento deve ajudar a França a superar os desafios "dos próximos dez anos", como o problema energético, insistiu.

Mas, segundo o presidente, esta questão não será solucionada com a exploração de gás de xisto, como exigido pela indústria.

Ele também indicou que a França vai investir "mais na manutenção das linhas (ferrovias) tradicionais", ao invés de focar os investimentos nas de alta velocidade, após o acidente de trem que matou seis pessoas na sexta-feira, perto de Paris.

Questionado sobre uma eventual candidatura em 2017 contra Nicolas Sarkozy, que apresentou esta semana uma plataforma política, o socialista disse que não teme o retorno do ex-presidente, que "pode perfeitamente ser candidato novamente."

O avanço da Frente Nacional, no entanto, suscita sérias preocupações. O fato de o partido de extrema-direita ocupar o "centro" da política francesa é "muito grave", disse.

O presidente francês iniciou este Dia Nacional à frente da tradicional parada militar na avenida Champs-Elysées, em Paris, na presença de uma grande multidão.

Com a participação de soldados do Mali e sob as bandeiras de 12 países africanos, o desfile de 2013 foi denso e variado para comemorar o que Hollande chamou de "vitória" no Mali.

A França ainda mantém 3.200 soldados no país, seis meses após o início de sua incursão.

A multidão aplaudiu as tropas francesas da operação Serval, mas também os aviões Rafale, os helicópteros Tiger e a nova aeronave de transporte Airbus A400M, a estrela do desfile aéreo.

Um destacamento da brigada franco-alemã, com o general alemão Gert-Johannes Hagemann à frente, também atravessou a famosa avenida de Paris para lembrar o 50º aniversário do Tratado do Eliseu. Após a assinatura desse documento, franceses e alemães deixaram de ser inimigos de várias guerras travadas para se tornarem parceiros, possibilitando o avanço do processo de integração europeu.

Último país a aderir à União Europeia, a Croácia participou das festividades com um pequeno destacamento de soldados em seus trajes vermelhos tradicionais.

Convidados de honra, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o presidente croata, Ivo Josipovic, e o o presidente do Mali, Dioncounda Traore, almoçaram com François Hollande no Palácio do Eliseu após a parada militar.

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